De olhos no fanatismo religioso, o "trunfo do diabo"

“O diabo empalidece comparado a quem disp�e de uma �nica verdade” (Emil Cioran)

“…todos os crentes parecem escandalosos e indiscretos: procura evit�-los” (Nietzsche)


Em nossa �poca, supostamente dominada pela ci�ncia e pela tecnologia, o fanatismo parece ser uma rea��o made in recalcado do inconsciente da humanidade. Fanatismo, vem do latim fanaticus, quer dizer “o que pertence a um templo”, fanum. O indiv�duo fan�tico ocupa o lugar de escravo diante do senhor absoluto, que, pode ser uma divindade, um l�der mundano, uma causa suprema ou uma f� cega. O fanatismo � alimentado por um sistema de cren�as absolutas e irracionais que visa servir � um ser poderoso empenhado na luta contra o Mal. Ou seja, o fan�tico acha que pode exorcizar pessoas e coisas supostamente possu�das pelo dem�nio”, “combater as for�as do Mal” ou “salvar a humanidade” do caos.

(…) Assim, para o fan�tico religioso, n�o basta adorar um Deus visto como Senhor absoluto, � necess�rio ser soldado dele na terra, lutar pela causa superior, pregar, exorcizar, for�ar os “infi�is” ou “divergentes” � convers�o absoluta, � qualquer pre�o. O fan�tico est� sempre disposto a dar provas do quanto sua causa suprema vale mais do que as pr�prias vidas: dele, de sua fam�lia ou mesmo de toda a humanidade. Ele mata por uma id�ia e igualmente morre por ela.

(…) Do ponto de vista psicopatol�gico, todo fanatismo parece ter rela��o com a fuga da realidade. A cren�a cega ou irracional parece loucura quando se manifesta em momentos ou situa��es espec�ficas, por�m se sua intelig�ncia n�o est� afetada, o fan�tico aparentemente � um sujeito normal. No entanto, torna-se um ser potencialmente explosivo, sobretudo se o fanatismo se combinar com uma intelig�ncia tecnologicamente preparada. Fan�tico inteligente � um perigo para a civiliza��o. O terrorismo, por exemplo, que atua com a �nica meta de destruir inimigos aleat�rios � realizado por indiv�duos fan�ticos cuja intelig�ncia � instrumentada apenas para essa finalidade. No terrorismo � uma das express�es do fanatismo combinado com uma intelig�ncia tecnol�gico, mas totalmente incapaz de exercit�-la por meios mais racionais, pol�ticos e legais. Para o terrorismo sustentado no fanatismo, os inocentes devem pagar pelos inimigos; a destrui��o deve ser a �nica linguagem poss�vel e a constru��o de um novo projeto pol�tico-econ�mico, n�o est� em quest�o, porque a realidade no seu todo � forclu�da.

Todo fan�tico � intolerante.

O fanatismo � a intoler�ncia extrema para com os diferentes. Um evang�lico fan�tico � incapaz de di�logo e respeito para com um cat�lico ou um budista. Um fan�tico de direita n�o quer di�logo com os de esquerda. Organiza��es como a Ku Klux Klan s�o intolerantes igualmente com negros adultos, mulheres e crian�as. Por isso se diz que h� em cada fan�tico um fascista camuflado, pronto para emergir em atos de exclus�o e elimina��o.


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