(Anti) Sincretismo e (In)Tolerância Religiosa

por Silvana Sobreira de Matos

1.1 Sincretismo e Anti-Sincretismo

Quando se fala de religião no Brasil, o que nos vem à mente é que o brasileiro é profundamente religioso. Aqui é o país mais católico do mundo, berço de inúmeras religiões nacionais como a Umbanda, o Santo Daime, a Barquinha, Vale do Amanhecer e União do Vegetal. Diz-se até que Deus é brasileiro (e se faz até filme para retratar isto[1]) e que é quase impossível falar do Brasil sem mencionar como traço característico essa nossa profunda religiosidade. Mas, essa nossa religiosidade é vista por muito teóricos como fluída, sincrética e nômade. Tais características são percebidas até em nossa música – “Acende uma vela pra Deus outra pro Diabo” [2]-, e literatura como mostrou Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas:

Eu cá, não perco ocasião de religião. Aproveito de todas. Bebo água de todo rio… Uma só, pra mim é pouca talvez não me chegue. Rezo cristão, católico, embrenho a certo; e aceito as preces de compadre meu Quelemém, doutrina dele, de Cardérque. Mas, quando posso, vou no Mindubim, onde um Matias é crente, metodista: a gente se acusa de pecador, lê alto a Bíblia, e ora, cantando hinos belos deles. (…) Olhe: tem uma preta, Maria Leôncia, longe daqui não mora, as rezas dela afamam muita virtude de poder. Pois a ela pago, todo mês – encomenda de rezar por mim um terço, todo santo dia, e nos domingos, um rosário (ROSA, 1986: 8-9).
 
            Tal religiosidade sincrética marcada pela festividade envolvendo o sagrado e o profano concomitantemente também é retratada nas artes plásticas brasileira. Na série “Objetos de Desejo” de Nelson Leirner de 2002, [3] apresentada no Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães – MAMAM, em Recife, vemos a obra “Terra à Vista” de Nelson Leirner que retrata uma bela composição do Brasil plural, sincrético onde se misturam diversas miniaturas de Pombagiras, do Sagrado Coração de Jesus e Maria, de Budas, Iemanjás, São Jorges, Pretos-Velhos, marinheiros, Sacis, bruxas, sereias, Caboclos e Boiadeiros, Padres-Cíceros, Caboclos de Lança, anjos, Brancas de Neve, Bonecas Barbie, serpentes, elefantes, cordeiros, cachorros, Vishnus, Zé Pilintra e etc. (…)

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