Dois pensamentos que não creem na existência de Deus

Veja no vídeo abaixo a palestra do Encontro de Ateus e Agnósticos, que sempre ocorre na programação do Encontro da Nova Consciência:

http://www.youtube.com/p/411FDF5597B0B0B6&hl=pt_BR&fs=1

Por: Wanessa Meira (Repórter do Futuro – Jornal da Paraíba)

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirmam que nos primeiros anos desta década, mais de 12 milhões de pessoas diziam-se não-religiosas (sem nenhum tipo de crença) no Brasil. Na Paraíba, o número de pessoas sem religião era de aproximadamente 177 mil. Os números apontam que o grupo formado por não-religiosos só perde em tamanho para o dos adeptos ao cristianismo.

Diante do que vem se tornando a religião para o homem moderno, surgiram dentro da chamada comunidade cética, dois principais grupos com correntes filosóficas, contendo posicionamentos distintos. Embora a maioria das pessoas não saiba, de início, diferenciar o ateísmo e o agnosticismo, as duas correntes exibem óticas opostas, que só podem ser vistas ao se observar mais detalhadamente esses dois pensamentos quanto à existência de um ser superior, criador do universo.

De acordo com o dicionário Aurélio, o ateísmo é uma doutrina que dispensa a ideia ou a intuição da Divindade, quer do ângulo teórico (não recorrendo à divindade para se justificar ou fundamentar), quer do ângulo prático (negando que a existência divina tenha qualquer influência na conduta humana). Surgiu na Grécia Antiga, aproximadamente em 500 a.C., onde o termo significava “sem Deus”, ou “aquele que cortou seus laços com os deuses”. O ateísmo manifestou-se principalmente na Idade Moderna e na Contemporânea, no plano filosófico – com destaque para os pensamentos ceticistas, empíricos e antropocentristas – e  nas perspectivas políticas, econômica e social, com o marxismo.

Já o termo agnosticismo foi criado pelo professor T.H. Huxley em uma reunião da Sociedade Metafísica, em 1876. Ele definiu o agnóstico como alguém que nega tanto o ateísmo como o teísmo, e que acredita que a questão da existência ou não de um poder superior não foi nem nunca será resolvida. O agnóstico crê que as evidências pró e contra Deus não são conclusivas, ficando assim indeciso sobre o assunto.

Marcelo Soares, 25 anos, jornalista, se declara agnóstico desde os 20 anos. “A mente humana é limitada e incapaz de conhecer o mundo sobrenatural, não podemos então nos posicionar diante de tamanha incógnita”, afirmou.
Existe, no entanto, uma opinião por parte dos ateístas sobre os agnósticos. Grande parte acredita que o agnosticismo é uma espécie de “fuga”. Um posicionamento cético, porém que se mantêm “em cima do muro”, por não afirmar nem negar que existam os seres divinos como são apresentados pelas religiões.

O escritor Alfredo Bernacchi, autor de cinco livros voltados para o ateísmo, afirma que agnosticismo é um subterfúgio para não assumir o ateísmo. “Ou se acredita em Deus ou se é ateu. O resto é incerteza, falta de assumir, vergonha, insegurança”, garante Alfredo.

Existem dentro do agnosticismo diversas divisões internas, as principais são o Agnosticismo Teísta e o Agnosticismo Ateísta. A diferença entre si está nos termos associados. O agnóstico teísta parte do pressuposto que existe uma ou mais divindades, embora seja difícil, ou mesmo impossível, provar isso. No entanto, o agnóstico ateísta está mais inclinado a acreditar  na improvável existência de Deus ou deuses.

Numa sociedade religiosa, ateus são discriminados

Quaisquer crenças que possuam divindades bondosas e amorosas têm em suas bases códigos estabelecidos de acordo com a ética, a moral e o respeito para serem cumpridos por seus fiéis. Isso garante a ordem entre os grupos, e para o bom religioso, recompensas do seu deus, em vida e até mesmo após a morte. A força motriz da religião são seus mandamentos e as  bênçãos decorrentes da obediência.

Mas, como respeitar o próximo e ser honesto sem um deus superior para dar o justo pagamento pela fidelidade do seu seguidor?  Este é o questionamento que se faz aos ateístas, e motivo de grande preconceito, por parte da sociedade, com um ateu.

Geralmente ateus são vistos como pessoas que, por não acreditarem em Deus ou não possuírem qualquer doutrina religiosa, estão fadados a imoralidade, a posição de pessoas sem quaisquer lei ou pensamentos tidos como convenientes para a sociedade. Isso acompanha quem se declara ateísta, como uma espécie de estigma, o que faz grande parte omitir seu pensamento cético, e até mesmo se declarar religioso, para ser poupado da discriminação.

O escritor Alfredo Bernacchi explica que “a palavra ateu foi muito pejorada pela campanha religiosa contra os ateus, sendo sinônimo do que não presta. Mas, tanto a palavra quanto o sentimento não têm culpa disso”.  Ainda, segundo Alfredo, a religião aplica um falso moralismo, direcionado à escravidão psicológica. “Um moralismo com o intuito de criar dependência de atitudes e controle das pessoas”, explica.

Para muitos ateus, moral e ética não devem ser praticados apenas pelo medo do castigo divino ou pela repressão religiosa. “A própria lógica de sobrevivência ensina na prática o certo e o errado. Você agride uma pessoa, o que espera dela? Um revide! Se você dá amor a uma pessoa, o que você recebe de volta? Amor, agradecimento, amizade”, ressalta Alfredo.

Outros grupos dentro do pensamento agnóstico são consideráveis:


* Agnosticismo Estrito (também chamado de agnosticismo forte, agnosticismo positivo, agnosticismo convicto ou agnosticismo absoluto) – A ideia de que a compreensão ou conhecimento sobre Deus e o Divino se encontra totalmente fora das possibilidades humanas e que jamais tal será possível. Um Agnóstico Estrito diria “Eu não sei e você também não”.

* Agnosticismo Empírico (Também chamado agnosticismo suave, agnosticismo aberto ou agnosticismo fraco) – A ideia de que a compreensão e conhecimento do Divino não é até ao momento possível, mas que se aparecerem novas evidências e provas sobre o assunto tal é uma possibilidade. Um Agnóstico Empírico diria “Eu não sei. Você sabe?”.

* Agnosticismo Apático – A ideia de que, apesar da impossibilidade de provar a existência ou inexistência de Deus e Divindades, estes a existir não têm qualquer influência negativa ou positiva na vida das pessoas, na Terra ou no Universo em geral. Um Agnóstico Apático diria “Eu não sei, mas também para que é que isso interessa?”.

* Ignosticismo – Embora se questione a compatibilidade deste grupo com o agnosticismo ou ateísmo, há quem o considere como um grupo agnóstico. Este grupo baseia-se na ideia de que é mais importante definir de forma coerente Deus e que a existência ou não de Deus é um mero pormenor secundário sem relevância. Um Ignosta diria “Não sei. O que considera “Deus”?”.

* Agnosticismo Modelar – A ideia de que questões metafísicas e filosóficas não podem ser verificadas nem validadas, mas que um modelo maleável pode ser criado com base no pensamento racional. Esta vertente agnóstica não se dedica à questão da existência ou não de divindades.

Fonte: Jornal da Paraíba Online
http://jornaldaparaiba.globo.com/v2008/gera.php?id=35767&IDNOT=3&rqv=y
http://jornaldaparaiba.globo.com/v2008/gera.php?id=35766&IDNOT=3&rqv=y

Saiba mais em:
http://convictosoualienados.blogspot.com/2009/01/guerra-chata-criacionismo-x-ateismo.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ateísmo
http://naturalmente.wordpress.com
www.ateus.net/

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