ESCOLHENDO O FUTURO (Edmundo Gaudêncio)

A temática central deste X Encontro Para a Nova Consciência, “Escolhendo o Futuro”, comporta dois pólos de apreciação: o primeiro, relativo à escolha e o segundo, à temporalidade.

Para mais fácil exposição, invertamos a ordem inicial e teçamos, incialmente, algumas considerações acerca do tempo para, só depois, intentarmos discutir a escolha.

Que é o tempo, senão essa invenção social – concretizada em calendários e relógios -, resultante da leitura dos ciclos da natureza, onde tudo nasce, cresce e morre, enfim?

Sempre interpretado a partir do hoje, dizemos do tempo que se foi, passado, do tempo que virá, futuro. Enquanto carregamos o tempo ido de lembranças e o tempo não-chegado de sonhos, deixamos este momento hoje escapar, entre recordações com o que não volta e planos com aquilo que ainda não chegou.

Ao homem de hoje apenas é dado este instante, como momento de escolher. Escolher entre voltar-se para o passado, saudosista, ou voltar-se para o futuro, sonhador ou – entendendo que este hoje é, na verdade, tudo quanto de tempo talvez lhe possa restar -, nem rememorar, nem devanear, mas, escolhendo-se, escolher fazer.

Justo aqui, nosso segundo pólo de considerações, relativo à escolha e ao escolher.

Dizia Buridan, o filósofo, que um burro faminto e sedento, colocado a igual distância de uma tijela d´água e outra de aveia, morreria de sede e fome, por não saber escolher ou priorizar suas escolhas, coisa de que apenas o homem é capaz, lembrando que, desde Sartre, não escolher é, ainda, escolher.

Somos o que somos, hoje, graças às nossas escolhas de ontem. Seremos, amanhã, o que hoje venhamos a escolher.

Diante disso, o que fazer? Qual coisa ou outra preferir? Diante das bifurcações da estrada da vida, por qual caminho seguir?

Zoroastro nos deixou pegadas (“Na dúvida entre Bem e Mal, evita”); Confúcio nos deixou rastros (“A virtude mora no meio”); Cristo nos deixou trilhas (“Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”). Qual desses mapas seguir?

Estes Encontros para a Nova Conciência talvez não te ensinem o ritmo de tua marcha, mas, quem sabe, a rota a seguir e o destino, dentro de ti mesmo, ao qual poderás chegar, lembrando que os caminhos – disse o poeta – são feitos ao caminhar.

Seja Bem Vindo. A este Encontro, a este Século Novo, a este Novo Milênio.

Edmundo Gaudêncio

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