Nova Consciência e Globalização

Nova Consciência e Globalização
Edgard Malagodi *

    Lembro-me com que entusiasmo a professora Nazaré Wanderley nos contava do impacto que teve ao ver, nos muros de Paris, Viva Porto Alegre! Em geral somos acostumados a ver aqui reflexos do primeiro mundo, nunca o contrário. Era o primeiro Fórum Social Mundial que se reunia em 2001, em Porto Alegre, para discutir e propor meios efetivos para conter a exclusão social e a poluição do planeta. A proposta não era simplesmente negar a existência da globalização, mas propor uma outra globalização: é possível sim mudar as regras econômicas que dominam as relações em todo o mundo!

    Em Davos, na Suíça, no Fórum Econômico Mundial, os ricos se reúnem para resolver a pobreza sem diminuir sua riqueza; querem salvar o planeta sem perder seu conforto e segurança. Do outro lado do globo – neste ano em Nairobi, no Quênia – a proposta é clara, e tem impacto cada vez maior. Os pobres não querem apenas superar a sua pobreza, mas a cada dia cresce a consciência de que é preciso também salvar o planeta. O Fórum Social não acredita que uma parte possa ter segurança produzindo guerras na outra parte, como no Iraque. Enfim, uma nova consciência é preciso. E por falar nisso, como anda o nosso evento, também impactante, em todo o país? Ouço dizer que o histórico evento campinense corre riscos sérios. Será verdade?

    Umas das primeiras experiências exitosas do PT, Porto Alegre inovava, com seu orçamento participativo e o evento mundial. Viva Por Alegre nas Américas, na África, Ásia e também na Europa! Abria aqui o espaço para o debate, mas também para a contestação. O PT perdeu a prefeitura e Porto Alegre perdeu o evento que fizera da cidade uma porta para o futuro da humanidade. Também Campina Grande inventou a Nova Consciência: terá condições de segurar a bandeira levantada!

    Claro, uma verdadeira nova consciência incomoda muita gente. O crente quer salvar suas verdades absolutas e sacralizar suas práticas rotineiras. Será que isso responde às demandas do mundo de hoje? Será que, com estas atitudes dogmáticas enfrentaremos o apego aos valores individualistas e exclusivistas, e o que daí decorre: a violência, a corrupção na política, etc.?

    É fácil, no Brasil, criticar os xiitas do mundo árabe; mas difícil é abandonar os clichês de um cristianismo que não exige nada do evangélico, além do um adesivo no vidro traseiro do carro. Também no Brasil, e o Nordeste tem história para isso, podemos mostrar que temos sensibilidade para uma outra postura religiosa. Ter a minha verdade, não elimina a sensibilidade pela verdade do outro. É preciso se abrir para a diversidade religiosa, cultural, ambiental. Depois de séculos vemos a cultura do sertanejo ser reconhecida: a convivência com a seca, com a caatinga é a forma de prosperar com ela. Ninguém precisa abandonar suas crenças: pelo contrário, escutar o outro é já um meio de expressar a mim próprio. Viva a Nova Consciência!
    
*Professor

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: