A música dos valores perdidos – “TEM RAPARIGA AÍ?”

Por José Teles para o Jornal do Comércio

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Crítica ao forró estilizado, conhecido nacionalmente como Forró de Plástico, por suas características puramente voltadas para valores vazios ou mercadológicos.

Na verdade o que mais me causou interesse não foi nem a matéria em si, que cita algo que venho lamentando muito que é a mediocridade e a falta de criatividade no meio musical brasileiro (apesar de achar que o buraco é ainda mais embaixo do que a matéria coloca). Mas o que me chamou a atenção é que o texto abaixo vem sendo propagado como de autoria de Ariano Suassuna, o que mostra que as pessoas passam as informações na maioria das vezes sem pesquisar fonte ou saber a origem dos textos e as vezes dos fatos. Isso gera não só os hoax, basicamente boatos sem fundamento que se espalham na internet, como também os chamados textos espúrios. Já vi muita gente, inclusive professores colegas meus, professores de português até, atribuindo a Luís Fernando Veríssimo e a Clarice Lispector textos que eles nunca escreveram. Pior que ainda periga de eu acabar caindo nessa armadilha, se é que ainda não caí.

Estar na internet, em um blog ou site, ou mesmo na Wikepédia não é garantia que uma informação seja necessariamente válida e verdadeira. Nem mesmo os livros nos dão essa certeza. “O papel aceita tudo”, já dizia outro colega professor. E, bem, isso também vale para os meios digitais. Então, antes de passar um texto adiante que você recebeu por email, confira a fonte, investigue, averigüe. Não dê chance para o “efeito Goebbels”. Goebbels era o propagandista de Hitler, e ficou célebre entre outras coisas pela frase que lhe foi atribuida, segundo a qual, “uma mentira dita mil vezes, transforma-se em verdade”. Na internet isso as vezes acontece. Google não é oráculo, e mesmo se fosse, não acredito em oráculos. O melhor que algum deles já disse estava em sua entrada e não no boca dos sacerdotes ou da pitonisa, o famoso “Conhece-te e a ti mesmo”. Não é porque está no Google que é verdade, e não é porque não aparece no Google que algo não existe ou não presta. Ele é só uma ferramenta de pesquisa, nada mais, e o que ele mostra são produções humanas, perfeitamente passíveis de erros, incorreções e parcialidades, e é claro ideologia.

O twitter tem sido o espaço mais usado pelos amantes do forró para as críticas ao secretário de Cultura, Chico César, que denominou bandas como Aviões do Forró e Calcinha Preta como “forró de plástico”.

O secretário vem sendo duramente criticado por diversas artistas de forró. A primeira-dama do Estado, Pâmela Bório, saiu em defesa de Chico César ao afirmar que seu ouvido não era pinico para ouvir músicas do gênero.

Em seu twitter (@PAMELA_BORIO), a primeira-dama relembra uma entrevista concedida pelo então secretário de Cultura, o escritor Ariano Suassuna, publicada no JORNAL DO COMÉRCIO (Recife) em 31/12/2009.

Concordo totalmente com o pensamento exposto pelo jornalista, escritor e crítico musical José Teles, publicado na coluna “Toques Digitais” do JC Online, no dia 06/Mai/2008 e no impresso do pernambucano Jornal do Commércio, em 07/05/2008, sob o título “A música dos valores perdidos”. Eis um corajoso texto dusbons e que deveria lido e refletido por todos que fazem, cantam, tocam, ouvem e dançam ao som das bandas de “oxente music” (o mesmo que lambada ou “forró eletrônico”).

Confira a matéria:

Tem rapariga ? Se tem, levante a mão!’. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma platéia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são ‘gaia’, ‘cabaré’, e bebida em geral, com ênfase na cachaça. Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.

Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá:

*Calcinha no chão (Caviar com Rapadura),
*Zé Priquito (Duquinha),
*Fiel à putaria (Felipão Forró Moral),
*Chefe do puteiro (Aviões do forró),
*Mulher roleira (Saia Rodada),
*Mulher roleira a resposta (Forró Real),
*Chico Rola (Bonde do Forró),
*Banho de língua (Solteirões do Forró),
*Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal),
*Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada),
*Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca),
*Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do forró),
*Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do forró).

Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.

Porém o culpado desta ‘desculhambação’ não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de ‘forró’, parafraseando Luiz Gonzaga (foto), as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e relevou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.

Aqui o que se autodenomina ‘forró estilizado’ continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se temrapariga na platéia’, alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: ‘É vou dá-lhe de cano de ferro/e toma cano de ferro!’, alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos.

Fontes:

http://www.beatrix.pro.br/index.php/imperio-bandas-forro/
http://blog.opovo.com.br/dusbons/o-minimo-de-respeito-e-bom/#more-363
http://deivisonvieira.blogspot.com/2009/10/o-forro-estilizado-do-nordeste-forro.html

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