Forró

Estilo musical

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Escultura em barro pintado de um sanfoneiro, um dos músicos que integram as bandas de forró. Caruaru, Pernambuco.

Forró é a dança de origem nordestina praticada nas festas Juninas ( que acontecem no período 01 de junho a 06 de julho nas cidades e estados tradicionais como Capela e Aracaju no Sergipe, Campina Grande, Quixeramobim, Fortaleza, Caicó, Caruaru entre outras cidades) de , conhecida também por arrasta-pé, bate-chinela, fobó, forrobodó. No forró, vários ritmos musicais daquela região, como baião, a quadrilha, o xaxado, que tem influências holandesas e o xote, que veio de Portugal, são tocados, tradicionalmente, por trios, compostos de um sanfoneiro (tocador de acordeon—que no forró é tradicionalmente a sanfona de oito baixos), um zabumbeiro e um tocador de triângulo.

O forró possui semelhanças com o toré e o arrastar dos pés dos índios, com os ritmos binários portugueses e holandeses, porque são ritmos de origem européia a Chula, denominada pelos nordestinos de simplesmente “Forró”, xote (“Xotis”), o termo correto, e variedades de Polcas européias que são chamadas pelos nordestinos de arrasta-pé e ou quadrilhas. A dança do forró tem influência direta das danças de salão européias, como evidencia nossa história de colonização e invasões européias.

Conhecido e praticado em todo o Brasil, o forró é especialmente popular nas cidades brasileiras de Campina Grande, Caruaru, Gravatá, Mossoró, e Juazeiro do Norte, onde é símbolo da Festa de São João, e nas capitais Aracaju, Fortaleza, João Pessoa, Natal, Maceió, Recife, São Luís e Teresina, onde são promovidas grandes festas, Como o Forricó na cidade do Icó, Iguatú festeiro na cidade de Iguatú, a Expocrato na cidade do Crato, o Quixé-Forró Na cidade de Quixeramobim-ce, A vaquejada de Itapebuçu que é uma das maiores do Brasil, são eventos reputados por reunirem milhares de pessoas para dançar o forró.

História

Origem do nome

O termo “forró”, segundo o folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo, estudioso de manifestações culturais populares, vem da palavra “forrobodó”, de origem bantu (Tronco linguístico africano, que influenciou o idioma brasileiro, sendo base cultural de identidade no brasil escravista), que significa: arrasta-pé, farra, confusão, desordem.[1]

A Versão mais verossímil, apoiada pelo próprio historiador Câmara Cascudo, é a de que Forró é derivado do termo africano forrobodó e era uma festa que foi transformada em gênero musical, tal seu fascínio sobre as pessoas.

Na etimologia popular (ou pseudoetimologia) é freqüente associar a origem da palavra “forró” à expressão da língua inglesa for all (para todos). Para essa versão foi construída uma engenhosa história: no início do século XX, os engenheiros britânicos, instalados em Pernambuco para construir a ferrovia Great Western, promoviam bailes abertos ao público, ou seja for all. Assim, o termo passaria a ser pronunciado “forró” pelos nordestinos. Outra versão da mesma história substitui os ingleses pelos estadunidenses e Pernambuco por Natal do período da Segunda Guerra Mundial, quando uma base militar dos Estados Unidos foi instalada nessa cidade.

Apesar da versão bem-humorada, não há nenhuma sustentação para tal etimologia do termo, pois em 1937, cinco anos antes da instalação da referida base, a palavra “forró” já se encontrava registrada na história musical na gravação fonográfica de “Forró na roça”, canção composta por Manuel Queirós e Xerém.

No idioma húngaro, Forró significa “Quente”. Não se tem variação da palavra no idioma húngaro, o termo Forró é igualmente escrito (com acento) como no português.

Antes disso, em 1912, Chiquinha Gonzaga compôs Forrobodó, que ela classificou como uma peça burlesca e que lhe valeu, algum tempo depois, em 1915, o Prêmio Mambembe, sendo Mambembe também de origem banto, significando medíocre, de má qualidade.

Histórico

Os bailes populares eram conhecidos em Pernambuco por “forrobodó” ou “forrobodança” (nomes dos quais deriva “forró”) já em fins do século XIX.[2]

O forró tornou-se um fenômeno pop em princípios da década de 1950. Em 1949, Luiz Gonzaga gravou “Forró de Mané Vito”, de sua autoria em parceria com Zé Dantas e em 1958, “Forró no escuro”. No entanto, o forró popularizou-se em todo o Brasil com a intensa imigração dos nordestinos para outras regiões do país, especialmente, para as capitais: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

Nos anos 1970, surgiram, nessas e noutras cidades brasileiras, “casas de forró”. Artistas nordestinos que já faziam sucesso tornaram-se consagrados (Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino, Genival Lacerda) e outros surgiram.

Depois de um período de desinteresse na década de 1980, o forró ganhou novo fôlego da década de 1990 em diante, com o surgimento e sucesso de novos trios e artistas de forró.

 

Gêneros musicais

O forró é dançado ao som de vários ritmos brasileiros tipicamente nordestinos, entre os quais destacam-se: o xote, o baião, o xaxado, a marcha (estilo tradicionalmente adotado em quadrilhas) e coco. Outros estilos de forró são: o forró universitário, uma revisitação do forró tradicional (conhecido como forró pé-de-serra) e o forró eletrônico ou estilizado (que, para alguns, não é considerado forró).

Artistas consagrados

Existem diversos artistas que, entre outras modalidades, também contribuíram, sejam como compositores sejam como intérpretes, com diversos gêneros do forró. Alguns dos mais destacados compositores brasileiros de músicas de forró são:

Estilos da dança

O forró é dançado em pares que executam diversas evoluções, diferentes para o forró nordestino e o forró universitário:

O forró nordestino é executado com mais malícia e sensualidade, o que exige maior cumplicidade entre os parceiros. Os principais passos desse estilo são a levantada de perna e a testada (as testas do par se encontram), tambem conhecido pelo termo vulgarmente chamado pela juventude praticante do forró como “Cretinagem”.

O forró universitário possui mais evoluções. Os passos principais são:

  • Dobradiça – abertura lateral do par;
  • Caminhada – passo do par para a frente ou para trás;
  • Comemoração – passo de balançada, com a perna do cavalheiro entre a perna da dama;
  • Giro simples;
  • Giro do cavalheiro;
  • Oito – o cavalheiro e a dama ficam de costas e passam um pelo outro.

Modernização do estilo X Forró de plástico

A partir de meados da década de 80, com a saturação do forró tradicional (Conhecido como pé-de serra), surgiu no Céará um novo meio de fazer forró, com a introdução de instrumentos eletrônicos (tais como guitarra, bateria e baixo). Também as letras deixaram de ter como o foco a seca e sofrimento dos nordestinos, e passaram a abordar conteúdos que atraíssem os jovens. O precursor do movimento foi o ex-árbitro de futebol, produtor músical e empresário Emanuel Gurgel, responsável pelo sucesso de bandas como Mastruz com Leite, Cavalo de Pau, Alegria do Forró e Catuaba com Amendoim. O principal instrumento de divulgação do forró na década de 90, a rádio Som Zoom Sat, e a principal gravadora, a Som Zoom Estúdio também pertencem a Gurgel. Tal pioneirismo não ficou imune de críticas dos ditos tradicionalistas que o acusaram de transformar o forró num produto. Em entrevista à revista Época, declarou Gurgel: “Mudamos a filosofia do forró: Luís Gonzaga só falava de fome, seca e Nordeste independente. Agora a línguagem é romântica, enfocada no cotidiano, nas raízes nordestinas, nas belezas naturais e no Nordeste menos sofrido, mais alegre e moderno(…)”.

Há quem diga que houve a pasteurização do forró, já que grandes empresários se apossaram dos meios de comunicação, comprando rádios e emissoras de tv para massificação do mesmo estilo muscial atual (o conhecido Jabá ou Jabaculê). O problema é que no quesito qualidade musical, o forró caiu vertiginosamente. “Asa Branca” (de Luiz Gonzaga) e “Bate Coração” (de Elba Ramalho) deram lugar a músicas como “Chupa que é de uva” (Aviões do Forró), “ALAÍDE” (Forró Pegado), “Minha Mulher não deixa não” (Reginho e Aviões do Forró) ou ainda “dinheiro na mão calcinha no chão” (Saia Rodada),  gerando polêmicas como o questionamento levantado pelo Secretário de Cultura da Paraíba, Chico César (em 2011), que decidiu não utilizar dinheiro público em festas com esse tipo de atração musical, referido como “Forró de Plástico“.

Abaixo segue na íntegra a nota do secretário:

“Tem sido destorcida a minha declaração, como secretário de Cultura, de que o Estado não vai contratar nem pagar grupos musicais e artistas cujos estilos nada têm a ver com a herança da tradição musical nordestina, cujo ápice se dá no período junino. Não vai mesmo. Mas nunca nos passou pela cabeça proibir ou sugerir a proibição de quaisquer tendências. Quem quiser tê-los que os pague, apenas isso. O Estado encontra-se falto de recursos e já terá inegáveis dificuldades para pactuar inclusive com aqueles municípios que buscarem o resgate desta tradição.

São muitas as distorções, admitamos. Não faz muito tempo vaiaram Sivuca em festa junina paga com dinheiro público aqui na Paraíba porque ele, já velhinho, tocava sanfona em vez de teclado e não tinha moças seminuas dançando em seu palco. Vaias também recebeu Geraldo Azevedo porque ele cantava Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro em festa junina financiada pelo governo aqui na Paraíba, enquanto o público, esperando a dupla sertaneja, gritava “Zezé cadê você? Eu vim aqui só pra te ver”.

Intolerância é excluir da programação do rádio paraibano (concessão pública) durante o ano inteiro, artistas como Parrá, Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Dejinha de Monteiro, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Mestre Fuba, Vital Farias, Biliu de Campina, Fuba de Taperoá, Sandra Belê e excluí-los de novo na hora em que se deve celebrar a música regional e a cultura popular”.

Secretário de Estado da Cultura – Chico César

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“A famíla do verdadeiro Forró está morrendo e ele, por se tornar órfão, teve
que recorrer à prostituição para sobreviver”

(Geraldo da Rabeca – 2006 – Campina Grande-PB)

FONTE:

Diário de Pernambuco – http://www.diariodepernambuco.com.br/viver/nota.asp?materia=20110421154417

Saiba mais: São João autêntico: Músico polemiza ao criticar ‘forró de plástico’
Não deixe o forró morrer, não deixe o forró acabar

Referências

  • Enciclopédia da Música Brasileira: Erudita, folclórica, popular. 2ª. ed. rev. e atual. Art Editora/Itaú Cultural, 1998.

Notas

  1. Sobre o termo Forró, ver:
  2. Enciclopédia da Música Brasileira: p. 301.

Ver também

Ligações externas

Commons
O Commons possui multimídias sobre Forró

  1. Forró de plástico
  2. Forró
  3. O Forró e o Plástico
  4. Um papo sobre forrós de plástico, cultura e pseudo-intelectuais
  5. Forró de Plástico. Lixo Made in Nordeste
  6. João Gonçalves
  7. Biliu de Campina
  8. Marinês
  9. The Beatles
  10. Luiz Gonzaga
  11. O Maior São João do Mundo
  12. Jabá
  13. 100 Maiores Músicas Brasileiras
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  15. Declaração Universal dos Direitos Humanos
  16. John Lennon
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  18. Aung San Suu Kyi
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