Jabá

Substantivo

Citation
, XML
Autores

Jabá pode se referir a:

Classificação morfossintática:
– [jabá] substantivo masc singular .
Sinônimos: gorjeta dinheiro carne seca carne-de-sol charque propina molhar a mão jabá carne velha carne do sul agrado corrupção .
Antônimos: honestidade .
Palavras relacionadas: fraude desvio de dinheiro propina carne seca carne-de-sol charque charqueada jabá por fora por baixo da mesa gorgeta suborno ‘molhar a mão’ .

Jabaculê, também conhecido como jabá, é um termo utilizado na indústria da música brasileira para denominar uma espécie de suborno em que gravadoras pagam a emissoras de rádio ou TV pela execução de determinada música de um artista.[1]

Não se sabe exatamente a origem do termo ou quando ele passou a ser amplamente usado no meio. Uma das versões seria a que um jornalista, apaixonado pela culinária nordestina, ao receber uma certa quantia para divulgar uma dupla de cantores, teria exclamado na presença de alguns colegas, “O jabá do almoço de hoje está garantido”. Dali em diante, esses colegas passaram a utilizar a palavra com o sentido que tem hoje nos meios de comunicação. Jabaculê seria uma corruptela da expressão, ao que se sabe, também cunhada nesse sentido pelo mesmo autor.[carece de fontes]

A prática foi criminalizada em 2006 pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados do Brasil, estabelecendo penas que variam de multa a detenção de um a dois anos, além da cassação da emissora que receber o dinheiro para colocar uma música no ar.[1]

Exemplos de jabá

A utilização do termo abrange toda situação que envolve gorjetas, propinas ou qualquer tipo de dinheiro pago em troca de favores ilícitos, entre eles:

  • Compra de um determinado número de execuções diárias de uma determinada música nas emissoras de rádio;[1]
  • Compra de posições nas paradas musicais das emissoras de rádio;[1]
  • Compra de espaço para apresentação de artistas em programas de auditório;[2]
  • Aliciamento de jornalistas para obtenção de comentários favoráveis.[3]
  • Elaboração de trilhas sonoras de novelas e outros shows televisivos em que constem os artistas que se deseja obter projeção.
  • A expansão de estilos musicais sem qualidade, como a Axé music, o Sertanejo Universitário, o Funk carioca e o Forró eletrônico (ou Forró de Plástico), às custas do jabá oferecido às rádios e emissoras de TV pelos empresários dententores de bandas desse gênero.
  • O fim da carreira dos artistas regionais que não conseguem espaço para cantar no mercado da forma que está e nem tem condições financeiras para arcar com os custos do jabá.

Música
Terça, 30 de dezembro de 2003, 11h11 
Lobão prepara lei de combate ao jabá
 
Claudia Amorim
 
Divulgação
Lobão
Lobão
Saiba mais
» Lobão detona Caetano Veloso e Alexandre Pires
» Lobão lança nova revista com CD, a ‘Outracoisa’
 Últimas de Música
  • Beyoncé completa 30 anos de idade; veja fotos da cantora
  • My Chemical Romance apresenta novo baterista em show
  • Falsa notícia sobre Justin Bieber apavora fãs na internet
  • Famosos prestigiam lançamento de CD de Seu Jorge no RJ
  • Busca
    Busque outras notícias no Terra:

    Depois da vitória na luta pela numeração dos CDs, o músico Lobão vira o ano empenhado em outra peleja, o combate ao jabá (dinheiro pago ilegalmente às rádios para que toquem determinadas músicas).

    Em entrevista ao JB, o compositor de 46 anos ressalva que não é contra as gravadoras e fala sobre sua última criação, a revista bimestral Outra coisa. Elétrico como sempre, ele promete outras revoluções.

    P – Qual é a sua avaliação sobre o sucesso da lei que exige que as cópias de CDs sejam numeradas?
    R – Ela está sendo cumprida desde abril e é exeqüível, não tem problema nenhum. O que houve foi que a autora, a deputada Tânia Soares (PC doB-SE), incluiu no texto alguns comentários errôneos, dizendo que ela já existia nos EUA. Lá, o que tem é a lei contra o jabá. Se fôssemos tirar este trecho, ela seria obrigada a começar tudo de novo e demoraria mais para a lei ser aprovada. Então mantivemos o texto, já que são detalhes irrelevantes.

    P – A lei trouxe resultados?
    R – Claro. O caso clássico é o seguinte: as gravadoras falam que vão lançar 25 mil cópias, lançam 50, vendem 45 e dizem que venderam duas mil. Além da numeração, está sendo implantado o ISRC, que é o DNA eletrônico de cada música, muito importante para a gente recolher direitos autorais em tudo quanto é tipo de mídia.

    P – Como isso é possível?
    R – Foi um programa desenvolvido pelo portal http://www.portalatino.com por mais de 10 anos, subvencionado por arrecadadores de direito autoral. Isso vai fazer com que no mundo todo haja decodificação por ISRC. Isso vai revolucionar todo o sistema de arrecadação no mundo.

    P – Esse código para identificar cada música resolve problemas decorrentes de má-fé?
    R – Os frutos da má-fé acontecem porque não existe uma aferição precisa. O ISRC passa de CD pra CD, e, para tocar na rádio, vai ter que ter o aparelho para captar o código, que será lido e contabilizado. Os novos CDs já saem assim. Tentamos alardear isso e não conseguimos.

    P – Você não se cansa?
    R – Não. Este quinto ano de independência foi mais um em que a gente se deu bem. A lei foi sancionada, isso é uma vitória de 40 anos. Eu me joguei e sabia que não ia ter volta.

    P – Não tem volta?
    R – Não com o nível de agressividade com que entrei nisso. Mesmo quando ainda estava em gravadora, eu já era queimado nas rádios, porque faço campanha contra o jabá desde 1989. Parei de tocar em rádio naquela época. Não adiantava ter gravadora e estar jurado de morte em rádio. Foi a partir daí que comecei a acertar minha vida, por incrível que pareça. Agora, só posso estar feliz. Conseguimos lançar uma revista, com uma qualidade bacana, com o CD do BNegão. Estamos tendo muito retorno com a revista, inclusive em rádio.

    P – Em rádio também? O problema é só com você, então, é pessoal?
    R – Não sei, talvez sim. Estou escrevendo junto com o deputado Fernando Ferro (PT-PE) a lei da criminalização do jabá. Esta propina é toda paga com caixa 2, e isso pode pegar o cara que corrompe ativamente. Para o passivo, a questão é que ele está usando o espaço público como se fosse privado.

    P – Como fazer a lei funcionar?
    R – O meio é acabar com as fontes que financiam o caixa 2 das gravadoras. Um recurso para isso é numerar o disco. Outra fonte de caixa 2 era a isenção de 70% de ICMS que as gravadoras tinham e somava R$ 800 milhões por ano.

    P – A isenção está em 40%, ia acabar agora, mas está sendo estendida por mais seis meses, não?
    R – Ela oscila desde os anos 70, quando a lei foi implementada. Tem um lobby das gravadoras para mantê-la.

    P – Essa isenção deveria servir para o investimento em artistas nacionais, não?
    R – E pagar os estúdios, que elas já não têm mais, manter fábricas ¿ coisas que já não fazem mais sentido. Nós, da música independente, somos 64% do mercado. A nata da MPB, como Paulinho da Viola e Maria Bethânia, agora é independente. Queremos que o governo corte a isenção das gravadoras, porque o que elas fazem é pagar jabá com essa grana. As gravadoras dizem que estão em crise, mas cada vez dão mais lucro.

    P – E como as rádios sobreviveriam sem jabá?
    R – O jabá atrofiou o espaço publicitário. São duas horas só de música, sem comercial, essas coisas. A gravadora agora é um escritório de agenciamento do músico contratado pelas rádios.

    P – Em um mundo sem jabá, as gravadoras são dispensáveis?
    R – Se a gente conseguir 20% menos de jabá, já vai ser maravilhoso, vai dar para respirar muita novidade nas rádios. Mas o mundo dos negócios sempre vai existir. Sou fã de várias gravadoras, da Atlantic, da Verve… Elas fizeram época. Não quero ser contra as gravadoras, e sim contra um sistema que não funciona.
     

    JB Online

    E havia o lado sombrio do Velho Guerreiro…

    O apresentador foi apontado, nos anos 70, como um praticante do ‘jabaculê’

    30 de outubro de 2009 | 0h 00

    Jotabê Medeiros – O Estadao de S.Paulo

    Foi Chacrinha o inventor do jabaculê? Bom, essa resposta você não vai achar nessa cinebiografia do Velho Guerreiro. Mas se não foi Chacrinha o pioneiro, foi ele quem elevou o jabaculê (ou jabá, como é mais conhecido) a um nível sofisticadíssimo. Quem denunciou isso não foi um aventureiro nem um denunciante anônimo. Foi André Midani, nos anos 1970, quando era então um poderoso executivo da indústria fonográfica.

    Mas o que é jabaculê? “Dinheiro com que se compra um jogador para que se deixe vencer, suborno”, diz o Dicionário Houaiss. Segundo o pesquisador e sambista Nei Lopes, é uma palavra de origem banta que significa “molhar a mão, subornar”. André Midani denunciou o jabá do Cassino do Chacrinha em 1978, quando era da Warner em 1978 e procurou o programa do Chacrinha para lançar Baby e Pepeu Gomes, ex-integrantes dos Novos Baianos. Foi quando lhe dissseram que, se não pagasse, os artistas não apareceriam no programa.

    “Mas ele não inventou esse esquema, não! Que eu saiba, a invenção é bem anterior a ele. O jabá sempre existiu. Não se pode atribuir ao Chacrinha essa responsabilidade”, disse Midani esta semana ao Estado . Na época, Midani reclamou publicamente do jabaculê do Chacrinha, o que provocou o rompimento entre os dois.

    Midani conta que o rompimento durou 10 meses. “Cada um fez um gesto simbólico de reconciliação. Fizemos as pazes ao vivo. Ele me convidou para ir ao Cassino do Chacrinha e me entregou um troféu que tinha inventado”, lembra. Midani não demoniza Chacrinha pelo esquema. “Toda pessoa tem seus lados bons e seus lados menos bons, virtudes e vicissitudes. Dentro daquele folclore dele, o Chacrinha tinha um sentido apurado do que era comercial e do que era artisticamente importante, e isso você não vê mais hoje.”

    Para André Midani, todos os grandes nomes de sucesso no Brasil pagaram jabá para consolidar suas carreiras. “É uma perversão do mercado. Mas você sabe tanto quanto eu o quanto Chacrinha foi revolucionário. Tinha um sentido cômico, artístico e comercial que era único.” Assim como os artistas pagam, os programas cobram, e aí se incluem desde talk-shows famosos quanto aparições em reality shows de grande repercussão.

    Midani abandonou a carreira no mundo discográfico há sete anos e diz que não pode mais determinar como se transmutou o pagamento dessas “taxas” no atual mundo do show biz. Mas lembrou, em entrevistas e em seu livro de memórias, que o jabá preponderou até o governo de Fernando Henrique Cardoso (época em que o custo de lançar uma música no rádio norte-americano era de US$ 300 mil por canção, enquanto no rádio brasileiro era de R$ 80 mil a R$ 100 mil).

    O esquema funcionou da seguinte maneira nas gravadoras: quando a verba publicitária era de 5% das vendas de discos, programas como os do Chacrinha cobravam 10%. Até sete anos atrás, o jabá podia comer até 70% dos orçamentos publicitários das empresas, que variavam entre 12% e 16%. Nas emissoras de rádio, era comum que os próprios proprietários das empresas se ocupassem da cobrança do “jabá” para tocar determinados artistas.

    MACAPÁ, AM

    Preço do silêncio da imprensa é um mensalinho de até R$ 60 mil

    Por Folha do Amapá em 16/01/2006 na edição 364

    Documentos de dentro da Secom revelam o escândalo da propina de até R$ 60 mil a donos de veículos, políticos, jornalistas e radialistas do Amapá. Na relação estão sete dos 24 deputados que recebem o jabaculê.

    A Folha obteve, com exclusividade, documentos de dentro da Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) que revelam a relação promíscua entre o Governo do Estado do Amapá (GEA) e grande parte da imprensa amapaense, e finalmente torna público um boato que sempre correu, mas nunca havia sido confirmado: a famosa lista do jabaculê a jornalistas, oficializada no governo de Waldez Góes (PDT). O preço do silêncio e a garantia da bajulação são um mensalinho que contempla praticamente todos os radialistas de programas jornalísticos de FM, a maioria dos donos dos veículos de comunicação – que detêm concessões públicas de emissoras de rádios e/ou televisões – e sete dos 24 deputados estaduais. Tudo indica que são salários mensais, cujo valor varia de R$ 300 a R$ 60 mil, com critérios de remuneração para cada pessoa.

    Recortes das listas, carimbadas pela Secom, até então escondidas a sete chaves

    Os documentos timbrados pelo GEA e Secom, carimbados e assinados pela chefe da Divisão de Editoração da Secretaria de Comunicação, Alice Evangelista Barroso, são dos meses de outubro e novembro de 2003, seis meses de 2004 – janeiro a junho —, além dos meses de setembro e outubro do mesmo ano, aos radialistas e deputados que utilizam os horários nos veículos, alguns comprados – prática considerada crime pela Agência Nacional de Telecomunições (Anatel) –, para manipular e tentar persuadir a opinião pública com notícias favoráveis e defesa severa do Governo do Estado, bem como silenciar e não abrir espaço para a oposição. A prova maior desse esquema de troca e favorecimentos são os programas nas rádios apresentados pelas pessoas contempladas na famosa Relação dos Comunicadores, os jornais impressos e os telejornais.

    O pagamento do mensalinho aos jornalistas – cerca de 18 radialistas, seis concessionários de emissoras de televisão, concessionários de emissoras de rádios comunitárias e FM, repórteres e donos de jornais impressos – é feito pela agência de publicidade e propaganda Amazoom Sistema de Comunicação, que ganhou em uma duvidosa licitação, em 2003, as contas publicitárias do GEA. Ela seria apenas intermediária entre a Secom e os profissionais, uma vez que o pagamento é considerado ilegal, pois o jornalista não pode usar o espaço e nem a informação como mercadoria.

    Fontes seguras que conhecem o esquema revelam que tudo começou a funcionar a partir de uma lista organizada e apresentada pelo então secretário de Comunicação Olimpio Guarany, onde constavam nomes de jornalistas conhecidos dele, que de alguma forma prestaram serviços ou deram apoio na campanha de Waldez Góes em 2002, e como forma de compensação começariam a receber o salário através da Amazoom. Esse pagamento seria parte de um plano de estratégias da Secom apresentado por Guarany em reuniões que aconteceram no chamado Comando, localizado na Avenida Nações Unidas, com a presença de Gutembergue Jácome e Sebastião Rocha (Bala), para que o governo tivesse do lado uma imprensa comprometida e nada jornalística.

    Para não deixar vestígio

    A lista de nomes não é permanente, a ordem de pagamento, inclusão e exclusão, vêm de dentro da Secom. Quem pisar na bola tem o nome retirado do pagamento, que acontece no próprio prédio da Amazoon, localizado na Rua Hildemar Maia, Bairro Santa Rita, na boca do caixa, sem recibo ou documento que possam deixar provas. No início, os que recebiam ficavam na frente do prédio da agência esperando o pagamento, hoje em dia um funcionário de lá liga e avisa que a pessoa pode ir pegar o dinheiro.

    Ainda segundo essas fontes, que preferem não se identificar, a maior quantia é paga mensalmente a um empresário, dono de um jornal diário e radialista, que recebe R$ 60 mil, fora as faturas dos veículos que tem concessão. Depois dele, também um outro empresário, que antes do governo Waldez não trabalhava na área de comunicação e agora tem uma concessão de TV e é proprietário de um jornal impresso, recebe mensalmente cerca de R$ 50 mil. Quanto aos radialistas, os que recebem mais, de acordo com a lista, são: Carlos Lobato, dono de um programa matinal na 101 FM, cujo mensalinho é R$ 8 mil; J. Ney, R$ 6 mil (Antena 1 FM); Carlos Bezerra, R$ 4 mil (Antena 1 FM); e Hélio Nogueira (Transamérica), R$ 5 mil. Dos deputados, quem leva a maior bolada é Edinho Duarte (sócio e apresentador da Antena 1 FM), com R$ 70 mil em 2004.

    Outra informação que vazou é que os próprios assessores do governo recebiam pela agência e o pagamento dos deputados é apenas uma ajuda de custo para a próxima campanha.

    Código de Ética condena prática

    No meio jornalístico esse tipo de relação sórdida é conhecido como jabá – prática de pagar para que a pessoa deixe de se portar eticamente com seus deveres profissionais – e condenada pelo Código de Ética dos Jornalistas, que vigora desde 1987. O Artigo 13 diz que o profissional deve evitar a divulgação dos fatos com interesse pessoal ou vantagens econômicas; também está no Artigo 9º, que profere do dever deste profissional em combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercida com o objetivo de controlar a informação.

    De acordo com o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amapá, Volney Oliveira, há informações e conversas sobre o jabá na imprensa amapaense, no entanto não há o ônus da provas e nem denúncia formal, o que dificulta o trabalho da Comissão de Ética. Quanto às punições, se comprovada a denúncia da conduta irregular e reprovável do profissional, ele pode ser expulso do quadro da entidade, se for filiado, e a punição mais severa seria o pedido de cassação do registro profissional deste jornalista, que ficaria impedido de continuar no mercado de trabalho:

    – Se não tiver o registro profissional é pior ainda, pois o exercício ilegal da profissão é crime, porque o jabá também seria um suborno. Aí poderíamos oficializar uma denúncia à Polícia Federal, por suborno e chantagem. O profissional pode ter uma relação com os políticos, desde que essa relação não seja em troca de interesses – explica Volney Oliveira.

    O secretário de Comunicação, Marcelo Roza, foi procurado pela reportagem, mas ele não foi localizado na Secom e não atendeu seu telefone celular ou retornou a ligação.

    A lista do jabá

    Nos documentos da Secom para relação de pagamentos do mês existe a descrição dos serviços, que são de mídia, dos veículos e dos comunicadores. No ano de 2003, mês de novembro, o total é de mais de R$ 1,2 milhão, apesar de ter campanhas que não foram veiculadas, somando quase R$ 178 mil, mas que foram pagas. Já em 2004, é de quase R$ 692 mil em seis meses, mais R$ 434 mil no mês de outubro. Na listagem dos meios de comunicação aparecem 20 veículos com respectivos valores a receber, entre eles: J. Alcolumbre (na época com concessão do SBT, Record, Band e Rádio Marco Zero), cota de R$ 50 mil – veiculado R$ 22.600, não veiculado R$ 27.321; Borges (rádio 102 FM, rádio Santana FM e TV Tucuju), R$ 50 mil – sendo veiculado R$ 11.902, não veiculado R$ 38.080; Eraldo Trindade, R$ 20 mil – veiculado R$ 800, não veiculado R$ 19.200; Jornal do Dia, R$ 20 mil – veiculado R$ 6.004, não veiculado R$ 13.995; Jornal Diário do Amapá, R$ 30 mil – veiculado R$ 2.706, não veiculado R$ 27.293; Jornal A Gazeta (na época estava começando), R$ 10 mil – não veiculado; Jornal dos Municípios, R$ 8 mil – não veiculado; O Amapá, R$ 5 mil – não veiculado; Transamérica, R$ 5 mil – não veiculado; Revista Leia, R$ 3 mil – não veiculado; Rádio 104 FM, R$ 3 mil – não veiculado; Rádio Vale do Jari, R$ 3 mil – não veiculado; Rádio Vitória FM, R$ 3 mil – não veiculado; Rádio Base FM, R$ 3 mil – não veiculado; e Jornal da Tarde, R$ 2 mil – não veiculado.

    Na relação de pagamento dos comunicadores, ainda no ano de 2003, a soma é de mais de R$ 43 mil e estão na lista: Luis Santos, R$ 8 mil; J. Ney, R$ 6 mil; Carlos Lobato, R$ 4 mil; Carlos Bezerra, R$ 4 mil; Leonai Garcia, R$ 3 mil; Bonfim Salgado, R$ 2 mil e Hélio Nogueira (TV Tucuju), R$ 5 mil.

    Quanto à relação nomeada Outros, em outubro de 2003, a soma é R$ 54 mil, onde aparecem nomes e programas dos deputados estaduais Edinho Duarte (PMDB), Eider Pena (PDT), Jorge Amanajás (PSDB), Dalto Martins (PMDB), Paulo José (PL), Kaká Barbosa (PT do B) e Roberto Góes (PDT).

    Já no ano de 2004, os mesmos deputados receberam uma quantia da Secom que soma R$ 316 mil em apenas nove meses, de acordo com os documentos:

    – Edinho Duarte: R$ 70 mil;

    – Dalto Martins: R$ 61 mil;

    – Roberto Góes: R$ 37 mil;

    – Kaká Barbosa: R$ 46 mil;

    – Paulo José: R$ 25 mil;

    – Jorge Amanajás: R$ 40 mil;

    – Eider Pena: R$ 37 mil.

    Disparidade

    O orçamento do Governo do Estado para a comunicação nos últimos três anos de gestão do governador Waldez Góes foi quase sempre maior do que o da segurança pública, por exemplo. Para este ano, de pleito eleitoral, o orçamento aprovado pela Assembléia Legislativa repassa para a Secom R$ 8,3 milhões, enquanto que para a Polícia Militar são R$ 4,2 milhões. Em 2005 o repasse foi de R$ 6,2 milhões à Secretaria de Comunicação e R$ 4,1 milhões para a PM. Foi somente no ano de 2004 que a Polícia Militar teve o repasse um pouco maior, R$ 5,5 milhões, enquanto a Secom recebeu R$ 4,5 milhões.

    30/11/2006 – 09h53

    Comissão aprova lei que torna o “jabá” um crime

    Publicidade

    da Folha de S.Paulo

    O projeto de lei que torna crime a prática de jabá (execução de música em rádio ou TV mediante pagamento do artista ou da gravadora) foi aprovado ontem pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

    Apresentada em 2003 pelo deputado Fernando Ferro (PT-PE), a proposta já havia sido aprovada também nas outras duas comissões designadas para analisá-la (Educação e Cultura; Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) e deverá seguir agora para votação no plenário da Câmara.

    O projeto torna o jabá um crime, com penas que variam de multa a detenção de um a dois anos, além da cassação da emissora que receber o dinheiro para colocar uma música no ar.

    Podem ser responsabilizados radialistas, apresentadores, produtores, gerentes de marketing ou qualquer profissional que tenha participado da negociação. Conhecida também como “jabaculê”, a prática é comum, especialmente nas rádios, mas ocorre também em programas de televisão.

    O deputado diz esperar agilidade na tramitação do projeto.

    “Estamos caminhando para desvendar os segredos que envolvem as relações das empresas de comunicação com a divulgação da cultura brasileira. Esperamos celeridade na aprovação do projeto para inibir esses procedimentos escusos”, afirmou Ferro, por meio de sua assessoria de imprensa.

    Download ilegal, remix, jabá: será que você é um “fora da lei”? Entenda os Direitos Autorais

    18/01/2011 08h00 Thiago Garcia Ivassaki

    Você se encaixa no perfil do "fora da lei"? (Reprodução)

    Você se encaixa no perfil do “fora da lei”?

    Será que você é um “fora da lei”? Vamos fazer um teste. Responda: Você já baixou músicas? Gravou filmes em DVD? Tirou cópia de livros? Com certeza você balançou a cabeça pelo menos uma vez. Então, a resposta é sim, você viola a lei. Parece mentira, mas é verdade.

    As discussões sobre Direitos Autoriais estão pegando fogo, pois a Lei (9.610/1998) que trata da matéria é do tempo das cavernas. Para se ter uma ideia, na época em que ela foi criada não havia redes sociais (Orkut, Twitter e Facebook), o Peer-to-Peer estava engatinhando (o “vovô” Napster surgiu em 1999), a banda larga era coisa do outro mundo e o Brasil tinha cerca de 2,3 milhões de internautas (hoje tem mais de 67,9 milhões).

    De acordo com a atual Lei, a utilização da obra (música, filme, livro, fotografia, etc), por quaisquer modalidades (cópia parcial ou integral, edição, distribuição, etc), em regra, depende da autorização prévia e expressa do autor. A Lei é rigorosa demais! Apenas em alguns casos é desnecessário o consentimento do autor. Dessa forma, vale a pena conferir um resumo sobre o que é permitido e o que é proibido.

    O QUE É PERMITIDO

    Reprodução – Para que a cópia seja legal, os seguintes requisitos devem ser observados: um só exemplar, pequenos trechos, uso privado do copista, o próprio copista tem que fazer a reprodução e não pode existir intenção de lucro. Achou complicado? É difícil mesmo. Os requisitos não são claros e limitam de forma excessiva as possibilidades de cópia.

    Domínio público – Depois de 70 anos da morte do autor, a obra pode ser usada livremente. Obras clássicas, como Dom Casmurro (de Machado de Assis), já estão disponíveis na internet (http://www.dominiopublico.gov.br).

    Remix – A Lei permite a utilização de pequenos trechos de obras já existentes, desde que não exista prejuízo (ao autor e a sua obra) e a reprodução não seja o objetivo principal da obra nova.

    Paródias – A Lei autoriza, mas a obra cômica não pode ser idêntica a obra que serviu de inspiração, nem gerar descrédito para ela.

    Jabá – Várias pessoas acham isso imoral, mas não é ilegal.

    O QUE É PROIBIDO

    Download de músicas e filmes – Eu sei, você provavelmente está pensando: “Quem nunca baixou nada que atire a primeira pedra”. Mas olha só, apesar de ser um “costume”, é ilegal.

    Faculdades e escolas – Em razão da falta de grana e do alto custo dos livros, a “Xerox” se tornou um hábito entre os estudantes. O problema é que o objetivo nobre (obtenção de conhecimento) dessa prática não afasta a ilegalidade (dificilmente os requisitos da cópia legal são observados).

    Exibição de material audiovisual – Sabe aquele filme que o seu professor exibiu na sala  de aula? Pois é, até o seu “teacher” praticou um ato ilícito!

    Portabilidade – Comprou o CD original da sua banda preferida e transferiu as músicas para o MP3? Mais um ato ilícito!

    Raridades – Converteu seu VHS em DVD? Nova violação dos Direitos Autorais!

    Sebos e Bibliotecas – Também estão na ilegalidade, pois as revendas e os empréstimos dependem da autorização do autor. E pior: sem permissão não é possível fazer cópias para preservar os acervos das bibliotecas.

    Fora de mercado – O fato da obra estar esgotada não autoriza a reprodução, ou seja, azar de quem não tem.

    Sabe quais as penas para quem desobedece à Lei? São basicamente duas: Pagamento de indenização e prisão (detenção, de três meses a um ano). Se existir intenção de lucro, o tempo no “xadrez” pode chegar a quatro anos.

    Você está de boca aberta, não? Realmente, é impressionante. A Lei 9.610/1998 é uma “aberração”. Os nossos “queridos” políticos esqueceram que o Direito deve acompanhar a evolução da sociedade. É óbvio que os Direitos Autorais precisam de proteção, mas isso não pode ser um obstáculo para o acesso à cultura e à educação. Por isso, a Lei precisa ser alterada, com urgência. Conciliar os interesses de todos os envolvidos (estudantes, artistas, gravadoras, etc) nessa discussão, sem dúvida, é a melhor solução.

    Mas há uma notícia boa: existe uma proposta de reforma da Lei de Direitos Autorais (http://www.cultura.gov.br/consultadireitoautoral). Enquanto ela não sai do papel, o jeito é ficar na torcida, pois se a Lei não for alterada, o Brasil continuará tendo milhões de “foras da lei”. É mole?

    Thiago Garcia Ivassaki é advogado. Se você ainda tiver alguma dúvida é só mandar um e-mail pra ele, anota aí: thiagoivassaki@yahoo.com.br

    O jabá nosso de cada dia.

    Artigo muito interessante baseado em postagem do Tico Santa Cruz

    Data: 23 jun 2011 | Autor: http://gabrielpassajou.com

    Tenho acompanhado a discussão sobre o jabá mais de perto nos últimos dias desde que o cantor do Detonautas, Tico Santa Cruz, expôs a ferida aberta em seu blog (leia aqui).

    Antes de mais nada, é muito interessante ler o ponto de vista de alguém que está dentro do processo de divulgação e pertence ao mainstream do entretenimento.  Foi esclarecedor ler alguns argumentos de Tico, que a partir de agora comento aqui:

    “O Detonautas antes de mais nada é uma grupo que se dedica ao rock nacional e faz parte de um cenário onde os planejamentos de lançamentos são  baseados nas parcerias que existem entre Gravadoras, Rádios e artistas.”

    Ok, logo de cara ele já se coloca como uma banda veiculada à uma gravadora, diga-se de passagem a poderosíssima multinacional Sony. Então devemos esquecer que não se trata na luta entre o bem e o mal.  Davi, o pequeno artista independente e proletário contra Golias, a malvada rede Mix FM, capitalista – exploradora – dos – fracos – e – oprimidos. Na minha opinião, o artista omite propositadamente o nome Sony Music (só a trata como “gravadora”), para justamente não desviar a atenção dessa imagem. Na verdade, o embate é entre duas grandes empresas, titãs empresariais em seus segmentos.

    “Existem muitas emissoras espalhadas por todos os estados e na maioria delas somos bem vindos, temos nossas canções tocadas diariamente e compartilhamos nosso trabalho com um número grande de ouvintes, o que mantém o Detonautas na estrada fazendo uma média de 8 shows mensais mesmo estando ausente do que muitos entendem por “mídia”, leia-se  programas populares de TV e primeiro lugar nas paradas de sucesso.”

    Bom, se existem muitas emissoras espalhadas pelo Brasil que tocam Detonautas, não quer dizer que eles estejam no ostracismo e muito menos fora da mídia. Pergunto-me, de forma incocente,  como a gravadora Sony Music insere sua banda nessas rádios, ou o ‘maligno jabá” é apenas para a rede Mix. Ou seja, não desviemos o foco da questão. A reclamação do vocalista do Detonautas é estritamente comercial, algo que ele fala várias vezes no post. Em frente…

    “Pois bem, assim como temos nossos altos e baixos é muito comum que uma Emissora se torne a principal líder de audiência enquanto as outras vão se adaptando as novas necessidades e infelizmente isso faz com que quem antes era parceiro e batia na porta convidando para Festivais, entrevistas e etc., acabe sob o efeito inebriante que o gosto do poder oferece e passe a fazer suas escolhas ignorando seus antigos aliados. Isso é muito comum neste mundo.
    Quantas histórias não conhecemos de gente que chega ao topo, assume uma posição privilegiada e passa a ignorar aqueles que o ajudaram a chegar lá?”

    Aqui Tico acredita que houve ingratidão da Mix em relação à sua banda. Mas esse sentimento é normalmente levado à tona muito mais em questões pessoais que profissinais. Se o texto tem como assunto-chave uma negociação comercial fracassada entre as partes, usar esse argumento é um recurso ignóbil, pois ambas as partes se beneficiaram: A Mix teve um conteúdo musical e promocional interessante (Detonautas) e os Detonautas uma vitrine privilegiada para exibir suas canções (Rede Mix). Houve uma troca justa e não uma exploração da boa vontade do grupo. Acho que Tico Santa Cruz errou um pouco a mão nesse ponto.

    “Vale lembrar que não estou comentando apenas com relação a amizade, estamos falando de negócios, dinheiro, comércio. É assim no mundo inteiro, essa é a realidade. E o que é comercialmente importante torna-se obviamente alvo de cortejo dos interessados.”

    Acho foi bem colocado da parte dele especificar (até mais de uma vez no texto) essa questão. Existe um conceito errôneo que apenas artistas populares pagam jabá, afinal de contas, “quem toca música sertaneja a não ser pelo jabá?”, dizem os desinformados/ mal intencionados. Em muitos fóruns, é comum ler esse tipo de colocação maniqueísta: “A Nativa aliena enquanto a Jovem Pan conscientiza o jovem.” Nada pode ser tão longe da realidade. Nesse ponto, mais uma vez, Tico Santa Cruz expõe que a relação é comercial, o que acho bem coerente e honesto da parte dele.

    “Eles queriam que nós modificássemos a estrutura original da música, baixando as guitarras e refazendo os arranjos para que pudesse tocar em sua programação. Chegaram a sugerir que mandariam um produtor DELES para pegar a MASTER ABERTA de nossa gravação e colocar o padrão Mix de som. Nós batemos o pé e não aceitamos.”

    Aqui temos uma decisão pessoal da banda e nem cabe julgamento algum. De qualquer forma, há muito tempo artistas internacionais já fazem diferentes versões de uma música justamente para encaixar suas músicas em vários formatos de rádio. Acho uma decisão inteligente que deveria ser levada mais em consideração pelos nossos artistas.

    Depois o texto entra em meandros que não cabe neste post. A essência que me interessa é justamente a abertura para o grande público dos acordos comerciais do mundo pop. Fato também explicitado por Tico em outra entrevista (leia tudo aqui):

    “Ficar nas mãos dos interesses comerciais de alguns homens me angustia muito e sei que faço parte desse sistema e que em vários momentos compactuei com eles quando me interessou, mas o jogo é assim e quem não se enfia no meio não sabe exatamente como funciona e sem saber como funciona não sabe como pode mudar.”

    Não deixa de ser admirável essa postura. Apesar de muitos não acreditarem,  rock é  tão legítimo como o sertanejo, pagode e calipso. São produtos comerciais de grandes gravadoras, geralmente multinacionais, que em última instância investem para ter lucro. E não poderia ser diferente.

    O fato é que o jabá é tão antigo e enraizado na própria cultura do brasileiro que se torna impossível a sua extinção. Se Elis Regina entrou no rádio pelo jabá, porque os Detonautas ou Victor e Léo não entrariam? Poucos sabem, mas o sabão em pó que está em destaque no supermercado ou o best-seller exposto na principal gôndola da livraria é fruto do mais puro e legítimo jabá.

    Não deixa também de ser um “jabá pessoal” quando baixamos músicas na internet, quando o certo seria comprarmos o cd. Alguém está levando vantagem e somos nós, não é verdade? Que atire o primeiro mouse quem nunca pensou isso.

    O combustível do rádio comercial é o sucesso! Essa é a regra. E sucesso quer dizer maiores repetições nas programações das emissoras, para que a música fixe na memória do ouvinte. Existem duas limitações. O período de maior atenção do público é curto e o número de artistas que deseja o olimpo da fama é grande. A lei da oferta e da procura, tão importante quando a da gravidade, entra em ação. É um espaço valioso. Isso serve para qualquer emissora e formato musical. É um processo que se auto-alimenta. O rádio ainda tem uma atuação importante nessa área. Lembremos que internet atinge apenas 20% da população brasileira.

    A grande hipocrisia é ler que o rádio é uma concessão pública e bla, bla, bla… Bobagem. Quem usa esses termos só o faz simplismente porque tem seus interesses PESSOAIS prejudicados, só isso. “O rádio é do povo!” Bradam eles! Mas quando o rádio tocavam rock nos anos 80, nenhum deles pediu mais música caipira, carimbó  ou baião  no rádio, pediram? Não, TAVA BOM DEMAIS, certo? Afinal o som que EU gosto já ouvia nas ondas do FM. Acho legítimo reclamar da falta de diversidade no rádio, mas sem usar relativismos ou argumentos toscos.

    A realidade: Não há rádios para todos os estilos musicais!  Sempre um segmento será esquecido, até porque a música hoje é muito mais complexa do que há 15 anos. Solução: Vá para a internet. É o único universo sem imite para a música. Não está satisfeito com o mídia? Seja a mídia. Faça sua webrádio! Faça o que você gostaria que estivesse no ar.

    Lobão: a ovelha negra da música brasileira

    Leia entrevista com o cantor de 53 anos que repassa a vida e a obra em autobiografia

    Pedro Alexandre Sanches, repórter especial iG Cultura | 11/02/2011 11:45

    Foto: AE

    O cantor Lobão

    Lobāo volta a gravar numa multinacional depois de 12 anos. Vende 23 mil discos, pior vendagem da história de um “Acústico MTV” (2007). Lobāo acaba de lançar a autobiografia “50 Anos a Mil” em parceria com o jornalista Claudio Tognolli. O livro sobe para a lista dos mais vendidos, segue para reimpressāo antes de um mês, passa de 30 mil exemplares em menos de três meses. Ambidestro, nem de esquerda nem de direita, nem rock nem MPB, Lobāo é a bipolaridade entre o sucesso e o fracasso.

    Nos anos 70, participou de banda de rock progressivo, Vímana, com Lulu Santos e Ritchie. Nos 80, virou líder de uma geraçāo que nāo era a dele – e que criou todo um novo mercado de música jovem no Brasil, com artistas como Blitz, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Titãs, Kid Abelha, RPM, Ira! e outros. Inseriu-se na grande indústria musical pela porta da frente – primeiro como integrante da Blitz, depois solo, em hits de rádio como “Me Chama” e “Corações Psicodélicos” (1984), “Decadence Avec Elegance” (1985), “O Rock Errou” (1986), “Vida Bandida” e “Rádio Blá” (1987). Virou presidiário após condenação por porte de maconha, haxixe e cocaína, ficou paranoico com um artista (Herbert Vianna) que acreditava persegui-lo passo por passo.

    A fama de briguento se amplificou após o período na prisão, deteriorando também suas relações com a indústria fonográfica. Nos 90, saiu do círculo das gravadoras pela porta de trás e fez a última de três tentativas de suicídio. Nos 2000, recriou-se, moldou a imagem de “herói independente” sempre ávido para criticar seus colegas de profissão, lançou CDs em bancas de jornal, virou guerrilheiro contra as gravadoras, avançou no jornalismo como editor da revista musical “Outracoisa” e como apresentador da MTV – da qual está fora desde o final do ano passado.

    Há três anos, o carioca Joāo Luiz Woerdenbag Filho, 53 anos, mora em Sāo Paulo com Regina, sua mulher desde 1991. Casaram-se de terno, véu e grinalda, por sinal, e a família Marinho, da Globo, compareceu em peso à cerimônia religiosa.

    Sente-se um pouco culpado pelos suicídios de sua māe (em 1982) e de seu pai (em 2004) e por várias tentativas, inclusive a do ex-Mutante Arnaldo Baptista (em 1981). “Pô, Arnaldo é maluco, mas eu dei um empurrāozinho, né?”, ri. Algoz do rock e da MPB, puxou briga com seus pares ao encampar, quase sozinho – a sambista Beth Carvalho foi parceira incansável -, a luta pela numeraçāo dos discos no Brasil, efetivada em 2002.

    No percurso, virou ovelha negra da família MPB – mas nāo tanto da sua própria, aparentemente uma família só de ovelhas negras, em cuja genealogia cabe até o controverso político Carlos Lacerda (1914-1977)

    Foto: Divulgação

    A capa da autobiografia de Lobão

    Em uma entrevista de ininterruptas cinco horas e meia, em sua casa no bairro do Sumarezinho, Lobão desfiou histórias de que nem o livro de 600 páginas conseguiu (ou quis) dar conta.

    Entrevista com Lobão: segunda parte
    Entrevista com Lobão: terceira parte
    Entrevista com Lobão: quarta parte

    iG: O livro é nitidamente dividido em duas partes muito diferentes.
    Lobão: É, entre o público e o privado. Fiz de propósito, me detive muito na minha infância porque queria mostrar o contraste. As pessoas pensam: “Esse cara deve ter sido um marginaleco na infância”. Não, eu era o mais careta do mundo, careta convicto, que caguetava maconheiro, fazia coisas horrorosas.

    iG: O pulo do menino careta para o “maconheiro” rebelde foi tão abrupto como parece no livro?
    Lobão: Foi abrupto. Eu era o caçula do Vímana, eles me tratavam como garoto. Aí peguei pessoas também virgens de maconha, Claudio Nucci (futuro integrante do grupo emepebista Boca Livre), meu amigo de infância, uma turma de não-maconheiros. Ninguém sabia apertar, nem fumar.

    iG: Você diz que Ivan Lins era seu ídolo na adolescência…
    Lobão: É, com 12, 13 anos eu já tocava bateria direito, feito gente grande, tocava prelúdio de Villa-Lobos, Alvin Lee. Quase entrei nos Secos & Molhados quando tinha 14 anos! Minha mãe não deixou (risos). Eu morria de medo, também. Adorava a música com que o Ivan Lins estreou, “Agora”, ele foi no bojo de Tim Maia, Cassiano, começou soul music. Adoro o Ivan, ele é um amor de pessoa, mas, pô, não gosto daquilo, é o lado de arabesco harmônico da MPB que ainda tem de ser resolvido, se é jazz ou se não é.

    iG: Você conta que assistia de graça ao Festival Internacional da Canção (FIC), da Globo.
    Lobão: Eu estava lá. Era sensacional. Meu pai fazia coisa de táxi e a gente ganhava cadeira de pista do dr. Roberto Marinho, ao lado do júri. Como eu sabia a música do Ivan, sonhava: “Pô, [se] o baterista passa mal, eu falo ‘tô aqui!’”.

    iG: Seu pai tinha uma frota de táxi?
    Lobão: Minha mãe me dizia: “Joãozinho, a gente tem pistolão, você não precisa fazer concurso, é só entrar”. Ela queria todo mundo funcionário público, e meu pai entrou, com pistolão, na Assembleia Legislativa. Ficou lá como assessor de um deputado. Ficou deprimidíssimo, não rolou. Aí começou a querer fazer uma oficina, e alguém contratou ele para o frete de manutenção da primeira frota de Opalas. Continuou funcionário público, mas aquela coisa, ia lá, assinava o ponto, passava uma hora.

    iG: O FIC foi sua porta de entrada para a música?
    Lobão: Não, não. Aquilo me excitou, mas eu gostava era de rock’n’roll. Queria fazer uma banda, via o festival inteiro querendo ver se pintava alguma coisa esperta. Aí pintavam Mutantes, Jards Macalé, Raul Seixas. Talvez eu tenha pensado isso na minha cabeça: tinha a esquerda, tinha a direita e tinha o rock. O rock era a liberdade, o resto era prisão. Até hoje é isso para mim.

    iG: Você diz que vivia em cima do muro. Por que desceu do lado do rock?
    Lobão: Muito recentemente, percebi que até hoje reluto em tocar guitarra. Digo que sou baterista e toco violão clássico, nunca tinha entrado numa de cantar direito e tocar guitarra direito. É claro que, tocando guitarra, não tem nada de referencial brasileiro, então você soa rock. E as pessoas não conseguem admitir você no seio da família MPB com essa vestimenta. Não me considero um roqueiro puro. Sempre fico incomodado quando me chamam de roqueiro, porque também, como a palavra “direita”, já vem estigmatizada, te botam num gueto. O que não me dá o direito de ser MPB?.

    iG: Os caras que desceram do muro para o lado do rock são os que vieram a fazer do rock a música do Brasil dos anos 80, não?
    Lobão: Pois é. Foi uma coisa pensada, pelo menos por mim, por Lulu, Ritchie, Júlio Barroso (ex-líder da banda Gang 90 & Absudrdettes, pioneira da geração 80, morto em 1984), Bernardo Vilhena (coautor de sucessos de Lobão, como “Vida Bandida”, e de Ritchie, como “Menina Veneno”), que somos pessoas dos anos 70. Era aquele preciosismo de araque, a genealogia, procurar a linha evolutiva. Fomos fazer uma coisa simples, porque esse rococó é inócuo, cafona, culturalista. A nossa causa era derrotá-los, derrotar a MPB.

    iG: Depois eles viraram MPB também – Lulu Santos, Herbert Vianna…
    Lobão: Não, Herbert não está nessa! Eu não sou dessa geração, Legião Urbana é quase dez anos depois de mim! Eu realmente não admiro. Não concordo. O que determina os anos 80 é se permitir ser pop. A partir do momento em que se começa a copiar, começam os anos 80: Kid Abelha, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii.

    iG: Então você é um artista da geração 70?
    Lobão: Sou. Sou intermediário. Fui gravar solo em 1982, mas gravava desde 1975 com o Vímana, sessões com Walter Franco. A Blitz vem um pouquinho depois da Gang 90 (grupo de seu amigo Júlio Barroso), e se tornou uma banda infanto-juvenil quando não era. Era pervertida. Foi higienizada quando assinaram contrato com a EMI. A visão da cultura brasileira é que rock é para criança, tem de ser i-no-fen-si-vo. Eu tinha feito um disco solo ao mesmo tempo, meus amigos participaram, deram dinheiro. Queriam que eu rasgasse, jogasse fora. Por que eu ia rasgar? Eu nunca ia ser artista solo, detestava, imagina ficar na frente, era baterista nato. Tá bom, eu rasgo se colocar umas quatro músicas minhas na Blitz. Aí o Evandro Mesquita: “Ah, não, eu sou compositor, são dez músicas, uma pra você, você é o George Harrison, eu sou o John Lennon”. Ah, não, cara, não dá.

    iG: A Blitz, indiretamente, fez você virar um artista solo?
    Lobão: Me obrigou, é. Não tinha mais volta. Mas fiquei completamente sem saber, parecia que eu tinha naufragado. Eu não estava apto, não sabia cantar, tocar guitarra. Passei muitos anos inadaptado. Entrei sem base nenhuma na minha carreira. E teve o episódio do Herbert Vianna, que foi o que mais perturbou a minha carreira. Podem dizer que sou maluco, que isso nunca aconteceu, mas que influenciou minha psique e minha vida, mesmo eu estando completamente equivocado, é um fato. Por 20 anos, senti aquela presença indevida e aviltante, onipresente.

    iG: O que você sentiu quando a carreira dele foi truncada pelo acidente (em 2001)?
    Lobão: Tem partes que eu tirei do livro, sabe? Achando que ele estava me copiando, eu abdicava das coisas para não ficar igual a ele. Faço “Cena de Cinema” (1982), ele faz “Cinema Mudo” (1983), com a voz igual à minha. Tive que trocar de voz. Não é um plágio, mas é o conceito. Faço “Me Chama” (1984), ele faz “Me Liga” (1984). Chamo Elza Soares, o cara chama Elza Soares. Vou fazer um disco de samba para fugir dele, eles vêm com “Alagados” (1986) e se tornam pioneiros! Pô, é para enlouquecer. E eu fugindo, pegando as minhas reservas.

    Foto: AE Ampliar

    O cantor Lobão em 1984

    iG: Você ficava paranoico em relação a ele? As coisas podem estar no ar, e vários pegam ao mesmo tempo.
    Lobão: Não, porque a gente sabia as fontes. A minha empresária, Leninha Brandão, tinha escritório ao lado do do empresário deles (José Fortes). Ele chegou no escritório, leu “Revanche” (1986) e disse: “Eureca! A favela é a nova senzala!”. Porra. Levo lata no Rock in Rio, tô tocando na Mangueira desde 1987 com Ivo Meirelles, meu parceiro. Dez anos depois, vem uma pessoa, que é a Fernanda Abreu, pega todo aquele conceito. Você vai checar: quem está produzindo e compondo todo o disco dela? É o cara.

    Aí vem a parte que não contei. Vou fazer música eletrônica, vou fazer “Noite” (1998). Soube que eles iam fazer um disco de música eletrônica, era para “Hey Nana” (1998) ser eletrônico. Consegui botar a música “Me Beija” na rádio Cidade a duras penas. A gravadora (Virgin) estava puta comigo porque eu tinha recusado fazer Faustão, estava me dando a última chance. Então vamos fazer Canecão em dia pobre, terça-feira. Na véspera do show, a rádio Cidade anuncia show-surpresa dos Paralamas no Metropolitan! Ia ter matéria minha de uma página no “Jornal do Brasil”. Abro o jornal no dia seguinte e tem duas páginas sobre ensaio dos Paralamas! Quando chego no Canecão, estava às moscas. Falei: “Regina, é o fim. Acabou”. O disco foi pro vinagre.

    Até esse momento, a Regina duvidava seriamente da minha sanidade mental em relação ao Herbert (risos). Fomos almoçar no dia seguinte, Herbert tá no rádio falando do sucesso do show deles: “Quero mandar um abraço para um grande ídolo meu, Lobão”. Comecei a ter tiques nervosos. Entramos no Fashion Mall, um restaurante vazio, está Herbert Vianna, com a mulher e os três filhos. Não, não é possível. Quando me levanto, sabe o que ele faz? Sai correndo, feito um camelô! Deixou a família. “Regina! Atrás dele!”

    Durante todo esse período, eu tentei falar com ele, chamei para ser parceiro, telefonei: “Já que você fala que sou ídolo, por que a gente não faz parceria? A gente divide o royalty direito, você ganha 50, eu ganho 50, não é legal?”. Ele até ficou emocionado, chorou de um lado, eu chorei do outro. “Não posso agora, tô indo para Tóquio”. Nunca mais ligou.

    Aí Ivo Meirelles me chama para almoçar. Me dá esporro: “Pô, cara, você é uma língua solta mesmo, para de falar essas coisas do cara aí. Ele é poderoso, tem conexão, todas as rádios tão com o cara. Todos os jornais, todos os músicos do Brasil tão com o cara, só você que é um idiota. E tem uma coisa: eu tô com ele, porque ele tem mais talento que você”. Ele tinha convidado o Ivo e o Funk’n Lata para tocar com ele no show! Comecei a espumar, né? Não aguento mais, tô enlouquecendo, fui fazer análise por causa disso. Tinha outros problemas, mas esse foi o mote, muito mais importante do que ter matado a minha mãe. O que mais me fez sofrer e ter ódio na vida foi isso. Passava o dia inteiro com ódio, meu coração doía, ficava exausto de tanto odiar.

    iG: O que sentiu quando ele se acidentou?
    Lobão: Fiquei com um sentimento horroroso, parecia que eu estava sendo enterrado vivo. Cara, e agora, como vai ficar minha história? O cara não pode mais se defender! Mas sabe como fecha essa história? Ele se recupera, volta do coma, fala uma coisa em espanhol, outra em inglês, outra em português e imediatamente pede um violão. A primeira coisa que cantou? “Chove lá fora e aqui…” (de “Me Chama”)! O epílogo do epílogo foi que em 2005 nos encontramos no VMB (premiação da MTV). Ele foi um amor, meio que perdeu a pose, né? Me abraçou, fiquei emocionado, senti carinho por ele. Até fui a um show deles. Tentei me adestrar, porque era muito ódio acumulado. Não fico achando isso das pessoas, é uma coisa pontual. Quando fui escrever o livro, fiquei num dilema terrível, não queria falar mal dele, mas precisava contar minha história.

    iG: Se você fizesse de conta que é o Herbert por três minutos, o que diria sobre o Lobão?
    Lobão: É engraçado, porque eles nunca se defenderam peremptoriamente. Sempre foram irônicos, “tá dizendo que eu imito, mas adoro ele”, ou despotencializavam, “tá drogado”, “tá com inveja do nosso sucesso”. Ele devia ter muita raiva de mim, porque eu estava indo pro ataque. A parte que tenho mais ódio é que eu achava natural estar puto, e todo mundo ficou contra mim. Perdi todos os meus amigos. Marina Lima foi cantar música dele, e eu: “Não! você não pode cantar!”. Mas as desculpas não eram nunca que não havia cópia, mas pelo fato de eu estar reclamando de uma coisa que todo mundo fazia, porque rock no Brasil é cópia. Tinha essa. Todo mundo se dava o direito de copiar U2, Duran Duran, The Clash, tudo era igual. Começaram a copiar lá de fora e depois estavam me copiando. Que pena, teve um personagem que, queira ou não queira, dividiu a música brasileira.

    iG: Do seu ponto de vista, o cara que dividiu foi ele. Para outros, deve ter sido você.
    Lobão: Que dividiu, é um fato. O entrevero dividiu. Mas ele cooptou. Eu tentei cooptar, mas eu não estava com a razão, pelo visto. Eu ficava puto, ninguém nunca falou: “Cê tá maluco, ele não copia você, não. Não, copiar é do homem, ele está prestando uma homenagem a você”. E meus royalties? Cadê meus royalties?

    iG: Ele tinha mais respaldo na indústria do que você?
    Lobão: Institucionalizou jabás, de dar vinhos, passeio de asa-delta, cooptar a imprensa vizinha. Eu estava falando com João Gordo, e ele: “Não posso falar, porque ele me deu uma guitarra”. Tá tudo dominado. Tinha uma coisa ativa, que eu não fazia. Por isso a cizânia veio. Herbert começou a ser amigo de quem? Do Gil, virou parceiro do Gil. Aí é o conglomerado, vem Caetano, Hermano Vianna, a Conspiração (produtora de filmes), Asdrubal Trouxe o Trombone, Regina Casé, aquele núcleo que tá aí até hoje. Ninguém entra, ninguém sai. Você só é alguém se passa por ali. Aí o Gil vai para o Ministério da Cultura – e esse núcleo todo junto! É a raposa no galinheiro. Na campanha de 2002, falei com o Lula: “Lula, eles tão fodendo com a gente”. Paula Lavigne estava com Serra, estavam todos com Serra, inclusive o Gil. Na história da numeração, Gil era o cara que era o braço das gravadoras. E qual é a primeira coisa que o Lula faz? Chama o Gil! A lei contra o jabá acabou ali, Gil foi na “Folha” falar que “jabá é coisa nossa”.

    iG: Qual é a sua impressão sobre Ana de Hollanda (ministra da Cultura)?
    Lobão: Acho ela uma simpatia. Chico Buarque é um cara querido, sinto dor de falar mal dele. Do Gil sinto até um certo prazer, mas o Chico parece um cara inocente. Fico puto com o que tem ao redor dele, esse exagero, entro em crise. Mas ela parece ser uma criatura doce, namorou Macalé. Pior que Gil não vai ficar, porque era mamata federal.
    Tem um episódio maravilhoso do Gil. A gente tava quase amigo, aí um assessor me convidou para uma recepção no Palácio do Planalto: “Gil faz questão que você vá”. Aceitei. No dia seguinte, liga alguém do ministério: “Gil pediu um favor do coração, dá para você pegar o violão dele e trazer? Ele não teve tempo”. Achei esquisito. Fui lá com o violão, cara-de-tacho. Cheguei no aeroporto de Brasília, tá lá a Paula Lavigne: “Mas o que você tá fazendo com o violão de Gil?”. “Como você sabe que é o violão do Gil?”. “Ah… Você não tá indo pra lá?”. Ih, achei esquisito. No dia seguinte, sai na coluna do Ancelmo Gois (colunista do jornal O Globo): “Lobão de roadie de Gil”. Montaram um factoide. Esse tipo de pessoa é muito esquisito, muito traiçoeiro. É um jogo muito duro, competitivo, e eles não abrem.

    iG: Como é a vida sem a sombra de Herbert?
    Lobão: É outra qualidade de vida. Acabou, nunca mais aconteceu nada. Parece que eu comecei a mudar de cara, eu vivia em função daquilo, me sentia vampirizado. Nada do que eu fazia acontecia. Também fui muito estúpido, ingênuo, reativo. Aquilo patinava, passaram-se 20 anos. O único link da minha vida com o Herbert é tudo o que ele me tirou (ri).

    ‘Radialista interfere na gravação das músicas’, afirma Lobão

    Nesta segunda parte da entrevista, o cantor fala sobre pirataria e comenta o suicídio de sua mãe

    Foto: AE

    O cantor Lobão

    Entrevista com Lobão: primeira parte
    Entrevista com Lobão: terceira parte
    Entrevista com Lobão: quarta parte

    iG: As histórias que você conta mostram como o meio da música é competitivo, não?
    Lobão: É, e, o que é o pior do competitivo: todo mundo com cara de bonzinho. “Oh, adorei o seu trabalho”, “oh, sou seu fã”. Na hora H, não há uma classe. Com essas coisas de celebridade, a classe artística perdeu completamente a seriedade. Os caras deixam fazer qualquer coisa. É praxe o radialista ir no estúdio de gravação e mixar a música. Tira a guitarra, sempre tira a guitarra, abaixa a bateria, aumenta a voz… quando não tira tudo e exige uma versão acústica.

    iG: Você está dizendo que radialista interfere no conteúdo das gravações prontas?
    Lobão: Todos eles fazem isso! Antes de ir para a prensa, chamam o diretor da rádio, da Transamérica, não sei o quê. Eles adulteram tudo. Aí não vou, né? Mando o cara da Jovem Pan fazer isso na casa da mãe dele. “Porra, cara, tá desestabilizando, você é o único errado”.

    iG: E Mariozinho Rocha (diretor musical da TV Globo), com as músicas que vão para as novelas da Globo?
    Lobão: Mariozinho Rocha era o cara da Blitz, o cara que pedia para eu rasgar meu disco solo. É muito difícil aparecer música minha na novela. Agora tem “Decadence Avec Elegance” em “Ti Ti Ti”, na voz da Zélia Duncan. Não entrou na novela original porque “a música é muito ácida”. Pô, Caetano e Bethânia têm em todas as novelas, das seis, das sete, das oito. É o papel da MPB, rejeitar as coisas que vêm de fora com muita veemência, e a corrupção comendo solta atrás. Eu só queria ter uma banda de rock’n’roll. Eu não tenho apreço pelo país. Não tenho orgulho do que é feito, assumi isso. Sem cerimônia, não gosto, não. Não gosto de carnaval. Foi uma grande sacada para aprender um monte de coisa, mas era completamente fora d’água, era uma agonia estar ali, um choque cultural.

    iG: Do modo como relata, parece ter se divertido mais na cadeia do que no samba.
    Lobão: Na cadeia eu ganhei uma autoestima muito grande. Estava cheio de traficante, assassino, fiquei com medo. Aí os caras começaram a me tratar bem, comecei a ter umas ideias que vingaram. Percebi que estava vivendo uma coisa muito rica – horrível, desconfortável, humilhante, mas se eu segurar minha onda aqui, tô testemunhando e vivenciando coisas que pouquíssima gente… Mesmo na favela, depois, o que eu vi de execução, nego sendo jogado vivo no triturador de lixo, garoto jogando bola com a cabeça do cara. É tudo esquisitíssimo, o meu professor de tiro era o policial.

    iG: A certa altura você escreve: “Eu me excitava com a condição de mártir”. Você não se beneficia também da vitimização?
    Lobão: Não, o martírio era com conotação sexual. Eu não sou neném. Eu sou predador, não sou a vítima. Nunca me coloquei como vítima, nem na minha família. Realmente não gosto, acho que quem faz isso é covarde.

    iG: Como é a história do suicídio da sua mãe? Você se sente culpado?
    Lobão: Ela deixou escrito!

    iG: Mas ela queria se matar, de todo jeito.
    Lobão: Queria, altamente cardíaca, sabia que se deixasse de tomar o remédio tinha chances enormes de infartar. Teve um entrevero bravíssimo comigo, tava deprimidíssima, com vontade de morrer fazia muito tempo. Eu mandei ela morrer. Ela já tinha tentado se matar 16 vezes, eu não aguentava mais telefonema, ambulância, lavagem estomacal. Tive que me desfazer não do trauma de mandar ela morrer, mas do ato de se matar. Ela não agiu legal, eu fiquei muito triste, com pena dela. Mas fiquei aliviado, viu? Se ela não morresse ali, eu não sei o que seria da minha vida, porque ela era um espírito obsessor. Só foi num show meu, eu pensava: “Meu Deus, eu vou ser artista, o que faço com minha mãe?”. Imagina a mãe do Renato Russo, que chama ele de Júnior. Porra, é o Renato Russo, respeita o cara! Minha mãe faria a mesma coisa, Joãoluizinho, Xurupito…

    iG: E a sobre sua irmã?
    Lobão: Falei muito pouco, porque na verdade ela está louca. Mora em Amsterdã, é maluca, maluca. Tinha porrada com a minha mãe todo dia, e quando começou a usar droga, virou junkie…

    iG: É ela a “Glória, Junkie Bacana” (letra de Cazuza de 1986)?
    Lobão: Não era ela, eu não queria, mas o Cazuza tava lá, ficou falando, tá bom. Teve uma época em que ela ficou na rua. “Glorinha Camburão”, mendiga. Quando ela flipou mesmo, é o que eu não perdoo no Bernardo (Vilhena, parceiro em alguns de seus maiores sucessos). Ele começou a incutir na minha irmã que ela era o Lobão de saias: “Ele tomou o seu lugar”. Ela pegou um ódio de mim, começou a ficar agressiva: “Eu sei que você teve um caso com o Cazuza, vou espalhar para todas as redações”. Nunca tive (ri), até fiz coisas bem piores, mas isso nunca aconteceu. Bernardo arranjou ela para abrir um show do Gil, “Glória Maria, o Lobão de saias”. Foi um fracasso.

    Foto: AE

    O cantor Lobão

    iG: A que categoria psiquiátrica você pertence?
    Lobão: Não sei, cara. A gente frequentou os melhores neurologistas, nenhum eletro chegou a conclusão alguma. Essa história das minhas doenças… Primeiro tive nefrose, que gerou terror noturno. Depois fui sonâmbulo. Com 12, 13 anos, comecei a ter crises epilépticas, ou epileptóides, convulsões. Ficava à mercê das medicações. Mas os eletros não configuravam. Em 1995, veio um italiano velhinho, reichiano, fez uma terapia com lanterna, correção de córnea. Foi tirando gradativamente o remédio, em seis meses eu não tomava mais nenhum. Nunca mais tive nada.

    iG: Suas tentativas de suicídio foram o quê?
    Lobão: Cheguei à conclusão de que nem repeti padrão. Eu era um atolado, não sabia resolver os problemas da minha vida. Na primeira vez que tentei, estava com um cisto embrionário na cabeça. O médico brincou: “Você matou seu irmão na barriga da sua mãe”. Eu estava obrigado a casar, no primeiro aborto que a gente fez, o pai da menina morreu do coração. Estava culpado, tinha um casamento para ir. Ao invés de dizer não, falei: vou me matar. Na minha cabeça, eu tinha abortado meu irmão gêmeo, entrei em pânico. Meus pais se separando, minha mãe tentando se matar. Mas mais do que isso, era falta de perspectiva mesmo.
    Outra foi com o Arnaldo Baptista (ex-integrante dos Mutantes), que me salvou a vida. Ele estava no Rio, de bobeira, a gente estava fazendo uma banda, Nelson Motta queria eu na bateria, Lulu na guitarra, Arnaldo Brandão no baixo e Arnaldo Baptista no teclado. Chamava Uns & Outro, eu fui o único que não pude aceitar. Liane (namorada de Lobão após o final do Vímana, em 1978) não deixou, ela incorporou minha mãe, tirana, eu completamente à mercê dela. Era acostumada ao jet-set internacional, foi mulher do Patrick (Moraz, do grupo Yes), de um monte de popstar. A gente era muito pobre, não tínhamos um tostão. Eu tinha que matar gambá no jardim pra gente comer.

    iG: Que gosto tem gambá?
    Lobão: Tem gosto de coelho. É um ratão, dava paulada na cabeça do gambá. Mas Liane era possessiva, não queria que eu trabalhasse. Me deu uma insegurança, uma paúra, uma melancolia, uma depressão, uma vergonha. Eu não vou ter condição de dizer não para eles, vou me sentir um bunda mole, repetir meu padrão de infância. Prefiro morrer, agora vou morrer de verdade. Tomei um monte de Rivotril com álcool. Arnaldo me telefona nesse meio tempo, queria tocar. Se ele não tivesse ido, eu teria morrido – mas eu também me salvei, né? Falei: “Pode vir para cá, rápido”. Começamos a tocar, caí direto. Depois soube que me pegaram no colo, me levaram, e o Arnaldo Baptista dizia: “Eu entendo perfeitamente, eu já vivi isso, eu já vivi isso!”. Foi ele quem ficou comigo na ambulância. E desde ali ele entrou numa crise muito grande, ficou lá um tempo, foi para São Paulo. Acho que um mês depois, foi internado, e se jogou pela janela.

    iG: Você teve uma terceira tentativa de suicídio, antes de “A Vida É Doce”?
    Lobão: Foi, em março de 1999. Foi um beco sem saída, uma época em que a carreira de um músico se baseava em estar numa gravadora. “Noite” foi um fracasso, ninguém queria mais material inédito. Tinha uns 70% de “A Vida É Doce”, e fui atrás do meu antigo empresário: “Lobão, esquece isso. O negócio é morto, pega uma homenagem ao Renato Russo, ao Cazuza, bota uma tiazinha rebolando com ‘Me Chama’. Se você fizer isso, eu te ponho num acústico da (gravadora) Som Livre”. Eu meio que topei, e a primeira coisa que ele fez foi me botar num especial de Tim Maia (“Tributo a Tim Maia”, de 1999). Fui para fazer um atentado. Decidi parar a gravação do DVD e dar um esporro em todos eles. Estávamos eu, Luiz Melodia e Jorge Ben Jor. Avisei só para eles: ”vou fazer um atentado aqui”. “Você é louco”, ficaram na coxia espiando.

    iG: Incitaram, à maneira deles?
    Lobão: Não posso afirmar isso, mas eles estavam achando engraçado, pitoresco. Comecei: “Quero dizer o seguinte. Sabe qual é a autópsia que vão fazer do Tim Maia? Morreu de câncer, mas sabe o tipo de câncer? Som Livre! Esse cara passou dez anos jogado, agora ele é um gênio, né, seu João Araújo?”. Acho que foi aí que fui ejaculado da biografia do Cazuza (Araújo, então presidente da Som Livre, é pai de Cazuza). Pensei que as pessoas fossem aplaudir. Ficou um silêncio, não tenho mais respaldo nenhum. Ninguém da imprensa foi capaz de contar o que aconteceu ali dentro. Pensei: já gastei esse tiro, nunca mais apareço na Som Livre, nem em gravadora nenhuma. Acabou. O gatilho da minha depressão foi uma música que eu fiz, “Pra Onde Você Vai”. Hoje acho linda, mas pensei: isso parece coisa do Roberto Carlos, no sentido de ser uma merda. Não passo de um bosta querendo ser um bom compositor quando, na verdade, sou um sub-Roberto Carlos. Estava bebendo, tomei um porre…

    Foto: AE

    Lobão em 1989

    iG: E drogas?
    Lobão: Não. Tomei meus remédios, mas chega de remédio, peguei meu canivete suíço, aquele serrote, comecei a serrar os pulsos. Serrei, serrei, serrei sem medo, devia estar dormente. Aí não lembro de mais nada. Dizem que fiquei horas pronto para me jogar, enfermeiros me segurando. Não sabia o que ia fazer da minha vida. Aí acordei, e é engraçado que toda vez que eu volto, eu volto muito feliz. Depois do suicídio com o Arnaldo, escrevi “Girassóis da Noite”, isso em 1980, 1981 (lançada só em 1987). Dessa vez, veio a ideia de lançar o disco nas bancas. Joguei i-Ching também, e a palavra que veio foi: morder. Comecei a morder, a atacar, morrendo de medo. Comecei a perceber que a indústria estava fadada a uma bomba-relógio. Não tinha um vilão ainda, as gravadoras começaram a ficar vilanizadas a partir da campanha para criminalizar o próprio consumidor pela pirataria. Não, agora eu vou fazer deles vilões.

    iG: Foi premeditado?
    Lobão: Foi, foi arquitetado. Comecei a fazer táticas de guerrilha e a blefar pra caramba, porque “A Vida É Doce” não tinha vendido porra nenhuma. Falei que tinha vendido 50 mil cópias, não tinha vendido nem mil.

    iG: E a imprensa publicando seus blefes…
    Lobão: Mas foi bom, porque depois virou verdade. Naquela hora, eu não podia dizer nada. Mandei prensar 50 mil, o cara da editora Scala achou que eu estava louco. Nessa, a gente consegue o Domingão do Faustão. Foi o que salvou a pátria. Faustão é meu brother. Ele passou o programa inteiro falando: “Vendeu 50 mil cópias”…

    iG: Você relata no livro o medo de que sua aparição fizesse despencar o Ibope. Um artista tem de ter esse medo quando está na TV?
    Lobão: Exigi deles só tocar música desconhecida. Os caras tentaram me demover. “Não, só vou tocar inéditas”. Na coxia, olhei para o “ibopômetro” que tem lá. Se cair o Ibope vai ser foda. A gente acabou ganhando, prensamos mais 50 mil e acabamos vendendo 97 mil cópias.

    iG: É o poder da Globo?
    Lobão: Pois é. Se eu não tivesse feito o Faustão, estava terminado, ia ser um desastre, um vexame, porque tirei onda. Depois disso, voltei a fazer análise, sou um cara CDF nisso. Fico tentando me melhorar, fiz meditação. Agora tô com alta, não tenho mais psiquiatra. Perigo, né (ri)?

    iG: Outra passagem do livro fala sobre uma fábrica clandestina de discos que teria sido aberta por altos executivos da própria indústria. Como é isso?
    Lobão: Isso é tido e havido. Não posso dizer os nomes, a coisa era muito cabeluda. Eram dois sócios, um deles era meu amigo, gângster-brother. Fui falar de numeração com ele: “Lobão, você sabe que eu gosto muito de você, você mora no meu coração. Ia ser muito triste um enterro seu”. A coisa era nesse nível. É importante as pessoas saberem a pressão. Tem alguma coisa errada, não é possível. Quando a gente viabilizou a numeação, caíram por terra todos aqueles argumentos deles. E a gente não conseguiu usufruir. Está lá escrito, mas é meio pró-forma, não tem quem vá vigiar aquilo. Mas também tem isso, os caras são gângsteres. E todo mundo sabia que existia aquela fábrica, que a proporção era absurda, vendiam um aqui e fabricavam mais cinco lá.

    iG: Isso era que época? Do CD, já?
    Lobão: Não, anos 80. Era fábrica de vinil. Era uma réplica, não entrava na conta, mas era o mesmo vinil, a mesma coisa. Era uma filial, a única coisa diferente é que não era contabilizado.

    iG: Eles estavam enganando as matrizes das gravadoras lá fora?
    Lobão: Sempre. Eu sempre tive ganas de falar com um chefe lá de fora, porque eram piratas da própria gravadora. Eles inventaram tudo isso.

    iG: Na era do CD isso continuou acontecendo? Gente de dentro das gravadoras pirateava os CDs?
    Lobão: Na era do CD, eles faziam consignação. Mandavam milhões em consignação para as Lojas Americanas. Depois, as consignações começaram a ser devolvidas, porque não vendiam mais. Eles simulavam que iam quebrar essas sobras, mas quebravam CDs virgens, e achavam que deviam se associar a redes de piratas e vender para elas o restante. Esse foi o golpe fatal, porque os piratas definiram que aquilo não era a melhor sociedade. Tinham os chineses, que faziam mais barato e pegavam a matriz dos discos direto do estúdio. Aí o mercado estava dividido, os piratas vinham da China, e eles eram inimigos. O que aconteceu? Vamos fazer uma campanha contra a pirataria! Todos os músicos ficaram putos, mas mais puto ainda fiquei quando foram todos para a campanha: Milton Falecimento, Caretano Velhoso, Chico Buraco. Eles sabem! Como os caras vão fazer aquela campanha naquela hora? Começou dali, e percebi que quando eu botava a boca no trombone, a campanha deles despencava. Estava dando certo. Eles estavam tentando convencer o povo de uma maneira antipática. Botei o povo contra as gravadoras, e falei que esses artistas todos eram asseclas das gravadoras. E era exatamente isso.

    iG: Era uma atitude suicida?
    Lobão: Não, eu fui na manha. Fui sabendo que eles iam cair, eu sabia.

    iG: Você nāo está contando vantagem? Como podia ter certeza?
    Lobão: Tive certeza quando montei o esquema de “A Vida É Doce”. Saindo com um disco de R$ 9,90, eu podia dizer: “Como eu, duro, posso vender CD por R$ 9,90 e nas gravadoras custa R$ 38?”. Eles fizeram a tática errada, porque criminalizaram o povo, e foi ali que eu comecei a me dar bem.

    Lobão: “Quando fiz Faustāo, neguinho só quis me matar”

    Na terceira parte da entrevista, cantor fala de televisão, do ‘Acústico MTV’ e de sua relação com o pai

    Foto: Divulgação

    Lobão

    Entrevista com Lobão: primeira parte
    Entrevista com Lobão: segunda parte
    Entrevista com Lobão: quarta parte

    iG: Você meteu a boca em todo mundo, fez e aconteceu, e hoje tem uns caras no seu pé, chamando de “Cordeirāo”, falando que se vendeu para a MTV…
    Lobão: Isso é um absurdo!

    iG: Eles nāo têm o direito, como você?
    Lobão: Isso é um absurdo! Em palestras eu falava para os estudantes: “Eu posso sair da gravadora. Eu sou o Lobāo, você nāo é porra nenhuma. Você tem que assinar com uma gravadora. E eu estou independente e quero assinar com uma gravadora, porque eu sou um homem de mainstream”. Como uma pessoa vai dizer que estou entrando em contradiçāo? Estava puto com as gravadoras e estou até hoje, mas sou profissional. Lulu (Santos) chegou a fazer uma coisa, que um jornalista falou pra mim. Topou dar uma entrevista, mas tinha de ser na sala do presidente da Sony. O jornalista entrou na sala, Lulu estava na mesa do presidente: “Tá vendo que eu tô aqui, né? Onde tá o Lobāo? Na banca de jornal, lugar dele. Vamos começar a entrevista”. Veja bem, eu sou o cara que viabilizei tudo isso, inclusive me autoviabilizei. Eu estava fazendo a minha revista e botando um monte de artista novo ali, mas estava ficando difícil. Nossa melhor praça, que era o Rio Grande do Sul, fez uma lei proibindo encartar CD em revista. Lancei meu disco “Cançôes Dentro da Noite Escura” (2005), que foi um dos recordes daquela coisa, umas 12 mil cópias, e ele nasce morto. A tênue teia desmoronou. Agora, por que eu, que tenho meu patrimônio, dobrei a indústria e estou voltando nos meus termos (exalta-se), estou me contradizendo?

    iG: Contradiçāo ou nāo, faz parte do jogo cobrarem você, que usou esse discurso.
    Lobão: Mas eu usei o discurso de adaptá-los a mim, nāo de destruí-los. Eu os adaptei. Eu venci. O que vou fazer, vou ficar de mal deles? Eu fico puto (exalta-se). “Ah, agora é o Lobinho”. Porque têm medo de mim. Fico puto porque estāo falando da minha honra. No Fórum Social Mundial, com aquele monte de “universotário” gritando “abaixo as gravadoras”, eu parei: “Abaixo porra nenhuma!”. As pessoas nāo entenderam. Tudo o que eu fiz foi para que tivéssemos um show business funcionando, o rádio, a imprensa e as gravadoras. Eu atuei em tudo isso, e as pessoas nāo sacam. É óbvio que querem tirar um sarro, tudo bem. Cordeirāo? Nāo é verdade. Sempre falei mal do “Acústico MTV”? Falei mesmo, que nāo me sujeitava a regravar um monte de tralha. O que eu fiz? Peguei 85% de repertório que estava proibido de tocar na rádio.

    iG: Por isso foi recorde negativo de vendas?
    Lobão: Nāo. Atribuo ao massacre da imprensa. Quando fiz Faustāo, neguinho só quis me matar, mas se eu nāo fizesse o Faustāo, eu nāo existia mais. Se você vai pra umbanda, você nāo fala com Exu Caveira? Tem que fazer! Tem que ter fundamento! Estāo me botando como se fosse um cara vacilāo, nāo aconteceu isso. Pela primeira vez em anos, me deram R$ 2 milhōes para fazer um disco! O mais legal é que tiveram que tirar o Lulu para eu entrar. Fora que estavam lá me tratando como aquele inimigo cordial. Continuei falando tudo o que falava, em momento nenhum parei de fazer meu discurso. Vai me chamar de vendido? Um mínimo de respeito, depois de tudo o que eu fiz, um cara que peitou as gravadoras como eu fiz (exalta-se), que se expôs feito louco, pelo amor de Deus!

    iG: Qual será a próxima reinvenção?
    Lobão: Não sei, depende, as coisas vêm no vai-da-valsa. Entrei na MTV, meu público agora tem 13 anos de idade. Sou esperto, não sou mau caráter. Vou agenciar minha vida. Saí da MTV no final do ano, preciso gravar meu disco, acho que esse livro vai dar um filme.

    iG: O livro está indo bem?
    Lobão: Best-seller total. Vendeu toda a primeira edição de 20 mil exemplares. Já estão fabricando mais 20 mil. Vou reeditar em iPad. Vou narrar em audiobook e acrescentar alguns capítulos que ficaram meio assim… a própria história do Herbert, a história do meu pai. Logo no início, digo que acho que fui pivô da morte dos meus pais, mas quando vou falar do meu pai… Está tudo escrito, mas na edição ficou fora.

    Foto: AE

    Lobão em 1988

    iG: Também se sente pivô do suicídio do seu pai?
    Lobão: Me senti. Ele era mecânico do doutor Roberto Marinho, aí se aposentou e um amigo dele, milionário, com coleção de carros, meio que emprestou um sítio enorme. Meu pai foi para lá com meu meio-irmão, que hoje tem uns 20 anos, mas idade mental de 6. Começamos a visitar meu pai, estava muito querido, mas com a paciência truncada, cego de um olho, todo vaidoso e muito competitivo comigo. Vi que estava muito deprimido, mas ficava feliz com a gente lá. Ele estava namorando uma menina de programa de 18 anos, que ficava me bolinando debaixo da mesa (ri). Eu nāo queria ficar naquela parada, uma situaçāo horrível. Escrevi uma carta para ele: “Pai, assim nāo dá, me desculpa, tchau”. Isso foi em outubro de 2003, ele morreu no Dia do Índio (19 de abril de 2004). Meu irmāo me telefona: “Papai tomou veneno de rato”. Me senti entregando meu pai ao destino, porque sabia que nāo tinha estrutura, estava numa situaçāo muito ruim. Mas eu nāo tinha como fazer, era uma situaçāo muito difícil.

    iG: Você é isolado dentro da música do seu país?
    Lobão: Sou isolado, solitário. Nesse caso foi falta de sorte, minha turma era superlegal, Júlio, Cazuza, Marina.

    iG: Se Júlio e Cazuza estivessem vivos, você estaria afastado deles?
    Lobão: Pode ser. A gente brigava muito. Inclusive, na última vez em que falei com Cazuza, disse atrocidades. Aliás, vou contar uma história. Estava com Ritchie no Rio, soube que Ezequiel Neves (produtor musical e jornalista que ajudou a revelar o Barão Vermelho) estava muito doente. Fomos no hospital, ele foi o primeiro cara que escreveu sobre mim na imprensa. Estava muito combalido, com traqueostomia, sem poder falar, escrever, gesticular. Nāo sei o que me deu, ele fez “aaaaaaaah” e eu: “Porra, tu tá com vontade de tirar a tubulaçāo? Eu agito isso pra você (risos)”. Aí ele: “Aaaaaaaaaaaaaah”, “Ezequiel, vou tirar, mas quando chegar lá no céu fala pro Cazuza que pedi desculpa. Pô, chamei ele de careca aidético, ‘vai morrer, filho da puta!'”.

    iG: Pouquíssimas pessoas devem saber que você é filho do mecânico do Roberto Marinho.
    Lobão: É verdade. É mais longo ainda, porque meu avô paterno era amigo do doutor Roberto. Ele cuidava do pai dele, o doutor Irineu. Fiquei muito arrependido, eu ficava sempre contra a Globo, mas eles sempre foram uns queridos. Meu pai amava aqueles filhos dele, eles fizeram uma escuderia de kart na minha casa. O Zezinho era muito criança, mas eram o Bet, o Paulinho e o Joāozinho. Zezinho é uns dois anos mais velho que eu.

    iG: Zezinho é o…
    Lobão: O Zé Roberto Marinho. O Roberto Irineu eu chamava de Bet (ri). Tomava banho de piscina na casa deles no Alto da Boa Vista, a gente tinha vidas juntas. Eles tinham milhōes de propriedades, mas viviam na nossa casa, adoravam meu pai. Meu pai era o guru dos caras, só tinha minimagnatas na escuderia: filho do dono da Mesbla, da refinaria de Manguinhos… Peço desculpas ao doutor Roberto, porque na realidade ele me ajudou, me tirou da cadeia, e depois eu faço aquele escândalo na televisāo dele… Telefonou pro meu pai, era muito lacônico: “filhos sāo filhos”. E ele tinha uma gratidāo enorme, porque Paulinho morreu jovem, em 1970, num acidente de carro, e meu pai foi o primeiro a se despencar para lá e vomitar – meu pai, quando fica triste, vomita. Quando me casei, em 1994, meu pai fez um almoço, chamou todos eles. O Bet falou: “Porra, cara, você fica aí contra a Globo, a gente queria tanto ter você com a gente”.

    iG: Casamento de véu e grinalda também nāo combina muito com você.
    Lobão: Mas eu estava me desconstruindo, foi lindo. A gente tava muito duro, a Regina queria. Todos os Marinho foram no meu casamento. Também tem uma cena tragicômica que nāo contei no livro, no enterro do meu pai. A gente estava duro, muito duro, fomos comprar o caixāo mais barato. Estamos no velório, veio o Joāozinho, Joāo Roberto. Fecha o caixāo, levanta, o caixāo vai abrindo, pum, pula uma flor! Aí, pum!, pula um dedo do pai! Situaçāo constrangedora (ri), o caixāo nāo estava funcionando. Imagina o Joāozinho. Falei: “Isso vai demorar horas, tua visita já tá sacramentada, você já está dispensado”.

    iG: Seu pai chegou a ser rico?
    Lobão: Meu avô era rico. Meu pai foi perdendo, perdendo, perdeu tudo. No inventário, eram coisas que você nāo pode imaginar. E filhos e filhos e filhos, primogênitos que nunca ouvi falar. Novos, eram uns três. O último era de uma fã minha! Telefonou pra oficina, queria falar com o Lobāo. Meu pai comeu a minha fā, aí tem um filho da fā. Pode uma coisa dessas?

    “Sou a favor do capitalismo, do lucro”, diz Lobão

    Na quarta e última parte da entrevista, músico fala sobre direita e esquerda e sua relação com sambistas

    Foto: AE Ampliar

    Lobão no palco

    Entrevista com Lobão: primeira parte
    Entrevista com Lobão: segunda parte
    Entrevista com Lobão: terceira parte

    iG: Logo no início do livro, você cita que é primo do Carlos Lacerda. Como é isso?
    Lobão: Sim, somos primos. Quando eu ouvia falar, achava que era porque minha mãe era fanática, mas recentemente fui em negócio de genealogia na internet e está lá, sou primo pelo setor Werneck, por parte de avó materna. Ele era sobrinho da minha avó. É primo em terceiro grau. Não deu tempo de conviver com ele, só de adorá-lo. A gente era fanático pelo Lacerda, pelo governo dele: o Quarto Centenário do Rio, o Aterro do Flamengo, o túnel Rebouças, a remoção das favelas da Praia do Pinto e da Catacumba. Neguinho ficou puto, mas imagina se tivesse a Catacumba hoje na Lagoa?

    iG: Hoje é meio xingamento chamar alguém de “lacerdista”.
    Lobão: Exatamente, acho que há uma certa injustiça. Lacerda era um gênio, um grande orador. O Brasil estigmatiza muito, você tem de ser de esquerda. E mesmo ele foi de esquerda, começou na esquerda, mas se você vira de (hesita)… Eu mesmo não sou de esquerda, flertei mais pressão externa, por parte do colégio que eu frequentava, da “intelligentzia”. Se você vai fazer música no Brasil, tem de ser de esquerda, não pode ser de direita, senão você é “simonalizado” (faz referência a Wilson Simonal, que se alinhou à ditadura e acabou rejeitado por todas as correntes políticas). As pessoas compram o pacote, não por convicção, mas porque é fashion, sexy, herdado ou seja lá o que for. A direita e a esquerda são a mesma coisa: conservadoras, nacionalistas, caretas, retrógradas, e adoram uma ditadura. Minha mãe era fascinada pelo Médici e pelo Chico Buarque ao mesmo tempo.

    iG: Você absorveu isso? Acabou gostando de ditaduras também?
    Lobão: Não, nunca gostamos de ditadura. Minha mãe era totalmente em cima do muro. Ela gostava do “milagre brasileiro” (apelido dado à arrancada econômica vivida pelo país durante a ditadura militar, especialmente entre 1969 e 1973) porque a gente se locupletou. Tínhamos dois carros, casa de três andares em Ipanema. Mas ela sempre falava de preso político, tortura. Tinha um tio que era general, sediado no Forte de Copacabana. Ele sabia mil coisas, mas era progressista, foi exonerado, virou general de pijama. Esse tipo de ambiguidade era muito mais corrente do que as pessoas retratam agora. Esse período, pelo que me consta, é unicamente escrito por pessoas da esquerda. Era época de guerra, cara, Che Guevara estava ali na Bolívia, eram duas ditaduras. As pessoas não estavam lutando pela democracia, mas para aqui virar Cuba. Isso ia acontecer, porque toda a “intelligentzia” estava fã de Cuba, era stalinista. Hoje, como todo mundo sabe que o stalinismo é hediondo, as pessoas se camuflam, mas não abrem mão da epígrafe de esquerda. Quando você fala que é de esquerda no Brasil, parece que você é do bem e inteligente, senão você é mau e burro. É maniqueísmo muito primitivo e primário.

    iG: E você, como se classificaria?
    Lobão: Acho que nós deveríamos evoluir o capitalismo, ser mais generosos, melhores como seres humanos. E ser menos pudicos, menos culpados e mais efetivos. Para distribuir renda você não precisa ser socialista. Governo ficar assistindo as pessoas eu acho de última, fica tirando do setor produtivo sem promover o progresso daquele segmento. É parideira profissional, mulher com bucho, oito filhos, investindo no Bolsa Família, uma fábrica de analfabetos.

    iG: Sua resposta é em cima do muro, como você diz que sua mãe era?
    Lobão: Não! Eu não sou, dizer que é de esquerda ou direita hoje é de uma antiguidade… Como baterista, sempre refutei ser esquerda ou direita, porque sou ambidestro. Eu bato com as duas, como posso? Ser de direita está estigmatizado, associado a ser torturador e pró-ditadura. É uma palavra contaminada. Você é “simonalizado”, vira burro, conservador. Pô, tem conservadorismo de esquerda! A “intelligentzia” de esquerda se acha martirizada e vítima de uma ditadura que já acabou. Vou em debate com Ariano Suassuna e Antônio Abujamra, eles se autojactam, são os tais. Fico pasmo. Não vem que não tem, passar perrengue em cadeia tu não vai achar que passou mais do que eu. Antropófago, índio, herói sem caráter, preguiça, vai tomar no…. Pô, eu não consigo me inserir na minha cultura. E um japa lá de Maringá, como ele vai fazer pra ser brasileiro? O “roqueiro”, para ser esperto, vira MPB quando está mais velho. Você vê Arnaldo Antunes e Frejat na prateleira de MPB, eu graças a Deus ainda não. Nos tacham de colonizados, macaquitos, porque imitamos o rock, mas pega todas as produções brasileiras, os caras tocando feito Jaco Pastorius. Não estão imitando o rock, mas estão imitando o jazz – muito mal, inclusive. Essa gentileza, essa brejeirice do brasileiro torna a violência muito maior, porque é o anteparo que permite os atos serem muito violentos, quando a representação é toda no frufru. Nós somos um povo violento, e nossa representação cultural é toda simpática, benfazeja, ingênua, naïve, elegíaca.

    iG: Você já disse em entrevista: “Eu sou de direita”. A gente nunca sabe se você está falando sério ou se é frase de efeito.
    Lobão: Falei que sou de direita no sentido de ser capitalista, a favor do capitalismo, da meritocracia, da competitividade, do lucro. Se isso é ser de direita, então eu sou de direita.

    iG: Você foi golpista em relação à indústria fonográfica em certos momentos?
    Lobão: Fui golpista. Eu estava arquitetando, comprando uma briga que não foi comprada pela classe de uma maneira absurda. A numeração de discos era uma coisa pela qual a gente lutava por 40 anos avidamente. Teve uma história que não pude contar no livro: estava na casa da Beth Carvalho, articulando, e Beth queria que Rita Lee aderisse à causa da numeração. Eu estava brigado com a Rita, e Beth tentando falar com ela por e-mail: “Você precisa aderir”. “Não, tendo o Lobão do lado é impossível”. Beth olha pra mim: “Lobão, faz esse favor, pede desculpa pra ela”. “Não vou pedir desculpa!”. “Porra, pede aí!”.

    Foto: André Giorgi

    Lobão

    iG: Uma sambista querendo promover a paz entre roqueiros?
    Lobão: “Porra, Beth, não vou me humilhar, foda-se!”. “Porra, Lobão!”. “Tá bom, tá bom, desculpa”. “Lobão está aqui pedindo desculpas”. A Rita: “Não dou!” (ri). Aí a Rita, nervosa, deu um enter lá qualquer e caiu na nossa mão uma correspondência dela com Gilberto Gil. Eles manobrando, “estimado guru”, “Ritinha”, “guru”, “Ritinha”, “guru”… “Ritinha, nós não somos partido nenhum, somos terceiro partido, só eu e você. Perante o público, a gente fala que é a favor, mas aí eu escrevo uma carta para o Fernando Henrique Cardoso. A gente não pode deixar isso vingar.” Que é isso? Que barbaridade! Foi um desperdício incrível, porque dentro da lei a gente conseguiu garantir R$ 0,01 centavo da venda de cada disco para criar uma associação. A gente calculou, na época, que daria uns R$ 400 mil por mês. Eu, Frejat e Beth e o pessoal do Sindicato dos Músicos passamos seis meses reunidos, toda sexta-feira, esperando vir alguém. Ninguém aparecia.

    iG: E esses centavos, que fim levaram?
    Lobão: Eles não estão sendo cobrados, porque não tem associação. As gravadoras podem dizer “não vou pagar”, porque a associação não se formou. Perdemos esse direito. Não custava nada, já estava pronto. Não precisava mais nem de coragem. Teve também a conversa com a Flora (mulher de Gilberto Gil): “Você é um canalha, moleque, tá querendo acabar com a vida dos artistas”. Uma coisa muito tenebrosa, um carma violento para mim. “Isso não é seu playground, Gil é um grande artista, sofreu ameaça do presidente da gravadora dele”.
    Basicamente, acho que foi muito mais vaidade do que falta de coragem. Porque era eu, né? “Lobão detesta os artistas”, disse o Gil. E, pô, eu mirei no que vi e acertei no que não vi. Conseguimos 5 mil assinaturas. Na semana seguinte só tinha os independentes, a Beth e o Frejat. Tem outra história ótima: estávamos quase acampando na casa da Beth, e tinha um cavaquinho lá. “Beth, você podia me dar umas posições de cavaquinho…”. Ela: “Que bonitinho, primeira posição”. Blém-blém, toquei direitinho. Segunda posição, terceira posição, ela ficou olhando para mim, divagando: “Puxa, Lobão… Você é um rapaz tão inteligente, não consigo imaginar você tocando guitarra elétrica (risos)! Você podia ser um cara tão bom…”
    Era nesse nível. Na primeira vez que estava na [gravadora] RCA [em 1982], cheguei com a fita debaixo do braço e vi lá com letras enormes: “Bem-vindo à casa do samba”. Ih, eu hein? Mas eu gostava de samba também. Encontrei João Nogueira e Alcione no corredor, falei: “Grande João Nogueira!”. O cara: “Me desculpe, mas eu não aperto a mão de roqueiro”. Alcione também refugou. Depois todos viraram meus grandes amigos. Mas, jogando futebol, com o João Nogueira lá no meio, era “passa a bola”, “não passo”. Não passava a bola para roqueiro, no mesmo time!

    iG: Quando eles passaram a aceitar você?
    Lobão: Com a Alcione, foi a partir da minha prova na bateria da Mangueira. Ela estava presente na comissão julgadora. Naquela época, não podia entrar na bateria, era só comunidade mesmo. Foi um teste casca-grossa. João Nogueira também, nas concentrações das escolas de samba. Mas rock era uma coisa muito ruim, como se você tivesse uma lepra, e isso está arraigado dentro da cultura brasileira.

    iG: De algum modo, você não faz o mesmo quando critica sertanejos, pagodeiros etc.?
    Lobão: Olha, só faço com coisas que são maiores do que eu. Só ataco coisas que estão muito em cima, que têm toda a condição de se defender. Nos anos 90, era só rock, rock, rock. Gravavam hino de futebol em rock, ridículo, e eu ficava sempre no meio do fogo. Queria trazer o samba, misturar, e os dois lados ficavam putos, duas classes fundamentalistas. O roqueiro metaleiro é fundamentalista, tanto quanto emepebista. O problema não é ter estilo A, B ou C – é você ficar estancado num fundamento. E eu acabo entrando em conflito justamente porque sou um cara móvel, volátil. Vou para um lado e para outro com a maior naturalidade. Na minha geração, fui o cara mais MPB. Tive influência de bossa nova, harmonia. Poderia fazer carreira de bossanovista.

    Referências

    1. Forró de plástico
    2. Forró
    3. O Forró e o Plástico
    4. Um papo sobre forrós de plástico, cultura e pseudo-intelectuais
    5. Forró de Plástico. Lixo Made in Nordeste
    6. João Gonçalves
    7. Biliu de Campina
    8. Marinês
    9. The Beatles
    10. Luiz Gonzaga
    11. O Maior São João do Mundo
    12. Jabá
    13. 100 Maiores Músicas Brasileiras
    14. Direitos humanos
    15. Declaração Universal dos Direitos Humanos
    16. John Lennon
    17. Cultura de paz
    18. Aung San Suu Kyi
    19. Chico Xavier
    20. Harvey Milk
    21. Mahatma Gandhi
    22. Zilda Arns
    23. Madre Teresa de Calcutá
    24. Chico Mendes
    25. Nelson Mandela
    26. Margarida Maria Alves
    27. Dorothy Stang
    28. Dalai Lama
    29. The U.S. vs. John Lennon
    30. Paz
    31. Nobel da Paz
    32. A música dos valores perdidos – “TEM RAPARIGA AÍ?”
    33. Portal: Campina Grande
    34. Campina Grande
    35. O Maior São João do Mundo
    36. Carnaval
    37. 20° Encontro da Nova Consciência – PROGRAMAÇÃO COMPLETA 2011
    38. Saravá, Dom Pelé! – 19° Encontro da Nova Consciência
    39. Sala de imprensa – 20° Encontro da Nova Consciência (2011)
    40. Como Chegar ao Encontro da Nova Consciência – MAPA DA CIDADE
    41. Festival de Inverno de Campina Grande
    42. SESC Paraíba
    43. Encontro da Nova Consciência – Exemplo Maior de Amor, Tolerância, Fraternidade, Sabedoria e Democracia
    44. Museu de Luiz Gonzaga
    45. Teatro Municipal Severino Cabral
    46. A Nova Era e a Nova Ordem Mundial – no Fantástico!
    47. Encontro Para a Nova Consciência – Exemplo Maior de Amor, Tolerância, Fraternidade, Sabedoria e Democracia
    48. História de Campina Grande
    49. O Encontro da Consciência Cristã é mesmo exemplo de uma Consciência Cristã?
    50. Evangélicos em Crise: Escândalos na igreja institucional
    51. Estado laico – por Leonardo Boff
    52. Mentes Brilhantes em busca da Nova Consciência
    53. Qual é a idéia mais perigosa na religião?
    54. “Cuidado com os burros motivados” – Roberto Shinyashiki
    55. Pela Paz no Tibet
    56. O Evangelho Segundo São Dawkins
    57. PARE DE USAR SACOS PLÁSTICOS! Salve a Natureza!
    58. A Ciência e a Fé
    59. Cartografia da saudade
    60. Ciência, fé e credulidade excessiva
    61. Nehemias Marien – Carta de Eglé Marien (vídeo)
    62. O semeador de Idéias – Fritjof Capra
    63. CAMPINA GRANDE NÃO PODE SER UMA NOVA SALEM
    64. ESCOLHENDO O FUTURO (Edmundo Gaudêncio)
    65. Encontro para a Nova Consciência: A Grande Celebração Brasileira da Diversidade!
    66. A verdadeira jihad – E o XV Encontro da Nova Consciência
    67. O que é holístico?
    68. O Cristianismo e a Nova Consciência
    69. CONTATOS e COMO ACHAR O EVENTO
    70. PATROCINE o Encontro da Nova Consciência
    71. Canal de Vídeos – Encontro da Nova Consciência
    72. NOVA CONSCIÊNCIA – CURSOS, VIVÊNCIAS e OFICINAS (2011)
    73. O que é o Encontro da Nova Consciência?
    74. ABUSOS de alguns líderes EVANGÉLICOS – Revista Época
    75. A Lua, O Papa, O Diabo e uma Nova Consciência
    76. Ser Gay é UM DIREITO e não uma opção! – Seja a favor do PLC 122/2006
    77. Lavagem Cerebral – Saiba como funciona e mantenha-se à salvo
    78. Criacionismo X Charles Darwin (Evolução) – Crer é igual a ver?
    79. “EU SOU O CAMINHO, A VERDADE, A VIDA” – Uma análise das representações sociais que os evangélicos fazem sobre os adeptos da Nova Era.
    80. Freedom From Religion Foundation – pela separação entre a Igreja e o Estado
    81. Anticalvinismo brasileiro: A expansão negativa da Teologia da Prosperidade
    82. O Conflito da Paz: A disputa de Saberes e Poderes no Encontro da Nova Consciencia
    83. DEMONIZAÇÃO E INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
    84. Manifesto de uma nova consciência (Blog Consciência Eferverscente)
    85. Severn Suzuki – Eco 92. O discurso que calou o mundo (vídeo)
    86. Dois pensamentos que não creem na existência de Deus
    87. Processos de Reciclagem de plásticos – Reciclar é viver!
    88. John Lennon e a Cultura de Paz
    89. Quanto custa salvar a natureza ? (Revista Planeta)
    90. Fundamentalismo Cristão
    91. Breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e Dalai Lama
    92. O Cristianismo e a Nova Consciência – Marcelo Barros
    93. As Falácias da Reversão Sexual – HOMOFOBIA
    94. A Biblioteca de Alexandria – Carl Sagan
    95. A EDUCAÇÃO HOLÍSTICA PARA A PAZ – Pierre Weil
    96. Serenões: Consciências Superevoluídas
    97. Revista Almanaque Brasil valoriza o Encontro da Nova Consciência
    98. Homofobia – Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; abominação é. (Levítico 18.22)
    99. Nova Iorque recordou John Lennon juntando centenas de pessoas no Central Park
    100. Polêmica – “Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade”
    101. A Terra em Miniatura (The Miniature Earth)
    102. Frei Beto: A Bíblia e os gays – Líder católico defende PLC 122
    103. Professora Amanda Gurgel silencia secretária da Educação e deputados
    104. Brasil sobe nove posições e ultrapassa EUA em ranking global da paz
    105. Pelo fim dos preconceitos no Brasil – Carlos Ayres Britto
    106. Mentes Brilhantes em busca da Nova Consciência
    107. A importância do Estado Laico na garantia dos direitos fundamentais de minorias
    108. Encontro para a Nova Consciência: A Grande Celebração Brasileira da Diversidade!
    109. Lista dos Ilustres Palestrantes da Paz – Nova Consciência
    110. A verdadeira jihad – E o XV Encontro da Nova Consciência
    111. Salve o bloco da nova conciência – Fogo Intolerante
    112. ENTREVISTA COM NEHEMIAS MARIEN: O PASTOR QUE ACEITA O ESPIRITISMO
    113. Encontro da Nova Consciência