João Gonçalves

Cantor e Compositor

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João Gonçalves é o autor do grande sucesso imortalizado por Genival Lacerda. São dele também inúmeras outras canções de duplo sentido, que já o fizeram passar por apertos.

João Gonçalves – Nasceu em 29 de Maio de 1936 em Campina Grande – PB. Desde de criança cantava e inventava parodias. Gostava de cantar qualquer estilo e ritmo. Na fase adulta em roda de bar e tomando umas e outras com os amigos; continuei cantando e compondo.

Em 1966 o irmão de sua esposa que era universitário e morava com eles trazia sempre aulas gravadas e ele ficava escutando as aulas junto com ele. Então, João Gonçalves teve a idéia de comprar um gravador e nele registrar todas as suas ideias e depois passá-las para o papel, assim foram surgindo suas primeiras composições.

Em 1969, João assistiu o show de Messias Holanda e foi apresentado ao cantor por alguns amigos e ele aproveitou para lhe mostrar algumas de suas composições. Ele lhe pediu uma fita com algumas musicas.

Em 1970, Messias fez sucesso com a primeira música gravada de João Gonçalves: Minha Margarida. Missias continuou gravando suas musicas e outros cantores que vinham à Campina Grande ele mostrava seu trabalho.

Em 1974, Messias o apresentou a Genival Lacerda que lhe pediu uma fita com algumas composições e ouviram juntos. Genival queria gravar quatro musicas, mas pediu que o colocasse como parceiro. Então, João registrou a parceria e ele gravou as musicas como prometeu. E uma das músicas foi sucesso nacional: Severina Chique, Chique.

Uma carreira de 40 anos, doze discos de vinil, quatro CD’s na praça e mais de mil músicas gravadas sintetizam um pouco da carreira artística do compositor e cantor, João Gonçalves – O rei do duplo sentido.

Ele já foi chamado “cantor do minhocão” por causa da grande repercussão, em nível nacional, da música “Pescaria em Boqueirão” e “rei do duplo sentido”, uma referência às letras que compõe para os seus discos e para os forrozeiros que cantam suas músicas.

Mas antes de ser cantor, ele era compositor. A carreira começou em 1970, quando Joacir Batista, Messias Holanda, Genival Lacerda e Trio Nordestino despertaram para o grande talento do compositor. Nesta época, um dos grandes sucessos de Genival Lacerda – “Severina xique-xique“, letra de João Gonçalves, estourou em todo o país, enfatizando a sua característica do duplo sentido.

O campinense João Gonçalves é um dos pioneiros do forró de duplo sentido. No início dos anos 70, ele emplacou uma série de estrondosos sucessos nacionais, entre os quais Severina Xique-Xique, Mata o véio, A filha de Mané Bento (estas na voz de Genival Lacerda). Como cantor, João estourou, em 1973, com Pescaria em Boqueirão, do impagável refrão: “Ô lapa de minhoca/ Eita que minhocão/ Com uma minhoca dessas/ Se pega até tubarão“.

Naquele tempo não se fazia a contagem de vendas como acontece hoje em dia. Sei que só com esta música vendi muito mais de cem mil discos, isto pelas contas da gravadora,” diz Gonçalves, que lançou uma dúzia de LPs, por gravadoras de São Paulo, a maior parte pela Tapecar.

João Gonçalves continua sendo uma lenda entre os forrozeiros e, pela temática de suas composições, constantemente procurado pelos empresários das bandas: “Do jeito que eles querem eu não faço não. Eles gravam as antigas. Catuaba com Amendoim gravou Mariá, Severina Xique-Xique. Tem até uma música que eu fiz para Tom Oliveira que a Aviões do Forró gravou, Locadora de mulher, mas não é de letra pesada, é só engraçada (cantarola o refrão): ’Eu descobri uma locadora de mulher/ Lá tem mulher do tipo que o homem quiser’“.

João mora numa casa modesta, no distante bairro do Cruzeiro, na periferia de Campina Grande. “Ainda componho. Genival Lacerda, Amazan e outros artistas de forró gravam minhas músicas“. Genival imortalizou a música Severina Xique-Xique (“ele tá de olho é na botique dela…”) de autoria de João.

Em 1975, Messias Holanda fez sucesso com a música: Mariá. E o Trio Nordestino com a música: Por Causa da Pepita. Essas foram as principais músicas de sucesso nacional e outras fizeram sucesso regional na voz de forrozeiros, sanfoneiros e Trios.

Em 1975, João Gonçalves trabalhava como gerente em uma empresa de Campina Grande. E recebeu a visita de Oséias Lopes e Bastinho Calixto. Oséias era recente contratado da gravadora Typa Car para forma um Casting de forrozeiros. Como João era um compositor de destaque no gênero foi convidado para em 1976 gravar o primeiro LP no Rio de Janeiro.

Em 1976, João Gonçalves decidiu começar a cantar, mas manteve suas composições para o também “rei da muganga” – Genival Lacerda. Outros sucessos vieram nas músicas “Mate o véio” e “Galeguinha do zoi azú“.

Nesse primeiro lançamento, João Gonçalves fez sucesso com a música: Pescaria em Boqueirão e assinei um contrato por 5 anos.

Em 1977 lançou: Só João Gonçalves. E a música de sucesso foi : Trambique da Butique.

Em 1978 lançou: Nordeste de Hoje.

Em 1979 lançou: Bicho Macho.

Em 1980 lançou: João Gonçalves – que o cantor considera o melhor disco de sua carreira.

Em 1981 lançou: Forró em Água. A Typa Car foi vendida para Continental. João Gonçalves foi contratado pela CBS (Hoje Sony).

Lançou em 1982: Preserve os Pássaros. Ficou um ano sem gravar prejudicando sua carreira.

Em 1984 lançou pela Lança Discos: Dá chuchu pra ela. A gravadora fechou e João Gonçalves ficou mais um ano sem gravar.

Em 1986 lançou pela Continental: Forró Pra Gente de Bem.

Em 1987lançou: João Gonçalves. Por conta de promessas não cumpridas pediu rescisão de contrato.

Em 1989 gravou pela Guriatan Discos que não foi lançado.

Em 1990 fez uma gravação pelo selo independente Music Color – SP e não foi lançado. Então, João Gonçalves resolveu parar de gravar como cantor. E continuou como compositor pela voz de outros artistas.

Em 1994 foi convidado pela gravadora Gogó da Ema – AL para gravar o seu primeiro CD: João Gonçalves . E a música de destaque foi: Empregada Doméstica.

Em 2001 lançou um CD independente com cinco musicas inéditas e regravações suas: João Gonçalves Ontem e Hoje.

Em 2002 gravou: João Gonçalves Ontem e Hoje Vl. 02.
Dominguinhos não ficou de fora e conseguiu gravar duas músicas que vieram a ter uma boa repercussão, como “Um lugar ao sol” e “A verdade dói“.

Amazan gravou “Picolé“, Biliu de Campina fez sucesso com outras composições, o Trio Danado de Bom, lançou CD com 10 faixas de João Gonçalves e o forrozeiro Ton Oliveira, que no disco que lançou, a música estourada nas rádios “Locadora de mulher” é de autoria de João Gonçalves.

Em 2008, após anos de trabalhos musicais e sucesso por todo o Brasil, o cantor e compositor campinense João Gonçalves teve sua carreira artística apresentada em um DVD com o título ‘João Gonçalves, Ontem e Hoje’.

O projeto, que tem como patrocinador o Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos (FIC), lei essa regulamentada pelo Decreto nº24. 993 de 09 de março de 2004, foi apresentado no dia 19/02/2008, no Teatro Municipal Severino Cabral.

Seu parceiro e também cantor Edson Azevedo ficou responsável pela elaboração e encaminhamento do projeto, que teve a aprovação do FIC. A verba destinada à produção artística do DVD ficou orçada em R$ 34 mil.

O projeto ‘João Gonçalves, Ontem e Hoje’ reúne antigos e novos sucessos com produção independente gravada pela Art Studio, do radialista Abílio José. Antes do show, serão exibidos depoimentos de pessoas que acompanharam de perto toda a trajetória do cantor a exemplo da colunista social Graziela Emerenciano que, segundo João, contribuiu muito para o crescimento de sua carreira.

CURIOSIDADES

*Na década de 70, período ditatorial, João Gonçalves teve seu 3° disco queimado em Campina Grande – PB pela policia federal do Estado e foi proibido de fazer shows no seu torrão natal. O motivo para essa agressão a liberdade de expressão, o refrão de uma música que dizia: “O bode comendo, acaba”.  As letras do compositor satirizavam: o falso moralismo, a política e políticos, a fama artística através e pelo dinheiro e etc. Mas o compositor criou vários forrós sem o tal do duplo sentido e por sua nova convicção religiosa, fez músicas evangélicas.

*O duplo sentido em suas composições surgiram por acaso. A sua intenção era fazer músicas engraçadas. Mas na proporção das músicas que fizeram sucesso foi se envolvendo no estilo e desenvolvendo e aperfeiçoando esse gênero chegando a ter o titulo de Rei do Duplo Sentido. E a discriminação mais forte que ocorreu contra o seu trabalho foi no programa de Flávio Cavalcanti na TV Tupi, em que ele quebrou ao vivo o seu segundo disco. Depois desse fato a nível nacional a polícia Federal de Campina Grande começou a lhe perseguir com a proibição dos seus shows e lhe prenderam por duas vezes. No terceiro LP ele foi pedir autorização na Polícia Federal para fazer shows e vender seus discos. Por conta de uma das músicas que o refrão dizia: “O Bode Comendo acaba”. Eles recolheram todos os seus discos das lojas e queimaram e proibiram shows na Paraíba. João Gonçalves teve que sobreviver fazendo shows em outros Estados.

* Na década de 70 sua música foi interpretada por grandes estrelas como: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marines, Genival Lacerda, Trio Nordestino, Missias Holanda, Elino Julião e João Gonçalves entrou no meio dessas feras e conseguiu se destacar como compositor. Hoje somando todas as suas composições gravadas chegam a 1000.

*No LP Nordeste de Hoje, a censura federal pediu as cópias das músicas de João Gonçalves. Houve um equívoco do produtor que deixou de mandar exatamente a letra de O Cariri assim falava no “bode comendo acaba” (a ração) “Eles mandaram prender e queimaram 3.600 exemplares desse disco”, relembra João. João Gonçalves já tinha sido detido na Festa das Neves, em João Pessoa, por causa de Pescaria em Boqueirão. Essa música fora proibida aqui na Paraíba, em 1976. “Eu sem saber que a música tinha sido proibida, cantei na Festa das Neves. Chegou um policial federal lá e disse: -Assine aqui! Eu pensei que fosse um autógrafo, assinei tranqüilo. É que soube que era uma intimação”, recorda.

Vejamos o que escreveu sobre ele o escritor José Teles:


“Em 1975, na tradicional festa de Nossa Senhora das Neves, padroeira de João Pessoa, João Gonçalves, então um dos maiores vendedores de discos do País, cantava seu sucesso Pescaria em Boqueirão, mais conhecido como A Minhoca (“Ô lapa de minhoca/Eita que minhocão/Com uma minhoca dessas se pesca até tubarão”). Súbito, adentra o palco um rapaz de terno e gravata e estende-lhe um papel e uma caneta: “Assinei o papel, abracei o homem e ainda pedi para o divulgador da minha gravadora dar uns discos ao cara”, relembra Gonçalves.

Depois do show, o rapaz reapareceu e avisou que ele não deveria deixar a cidade, pois na manhã seguinte teria que se apresentar à Polícia Federal: “Eu tinha assinado uma intimação, pensando que fosse um autógrafo”, ri Gonçalves. “Quando entrei no gabinete do delegado, doutor Clóvis, um sujeito rígido, que prendeu um monte de radialista na Paraíba, rodava na cadeira, e perguntava: ‘João Gonçalves, por que você me cantou A Minhoca? Não sabe que está proibido de cantar A Minhoca?’, Ele perguntou aquilo umas oitenta vezes, eu já não agüentava mais.”

Enquanto o delegado esbravejava, entrou o policial da intimação e falou a favor do forrozeiro. “Ele disse para o doutor Clóvis que eu era uma pessoa simpática, gentil, e, apontando para Oscar Barbosa, o divulgador da Odeon, que havia me acompanhado, disse: ‘O safado é esse aí, que tentou me subornar com discos’. Resultado: fui liberado e prenderam o divulgador. Saí correndo da delegacia para procurar um advogado e soltar o desgraçado.”

João Gonçalves, nos anos 70 era o rei do forró de duplo sentido, e Genival Lacerda seu principal intérprete e cliente contumaz (no novo CD de Lacerda há três composições dele). A malícia das letras fez de Gonçalves um dos compositores mais visados pelos censores da ditadura militar, porém o forró é ignorado pelos historiadores desse fase plúmbea da cultura brasileira. “Eu mandava numa faixa de 30 músicas para liberarem 12. Minha música era folclore, cultura da nossa terra, não tinha nada a ver com o AI-5 lá deles, mas passaram a me perseguir.” Ele compôs para muitas estrelas do forró. Marinês e Dominguinhos estão entre elas. Gravou uma dúzia de LPs, sempre na linha da polêmica A Minhoca. “Eu faço duplo sentido, tem uns aí que fazem pornografia. Fiz também músicas sérias, como Um lugar ao sol, gravada por Dominguinhos”.

Nascido numa família humilde, na zona rural de Campina Grande, aos oito anos já vendia amendoim e engraxava sapatos nas ruas da cidade. “Uma vez Marinês foi minha freguesa. Ela ia se apresentar na Rádio Borborema e queria pintar os sapatos de branco. Passei uma tinta safada, que desbotou enquanto ela cantava. Contei essa história a ela muitos anos depois”, recorda.
Ele não sabe explicar como baixou nele o espírito da música. “Eu fazia umas paródias, imitava Orlando Dias, fiz iê iê iê, até que comecei a compor forró”, lembra. O primeiro grande sucesso dele foi Severina Xique-Xique, em 1974. “Apresentei a música a Zé Calixto e a Marinês, eles acharam pernóstica.” Genival Lacerda gravou o xote, recebendo a parceria, uma prática até hoje bastante comum na relação entre cantores e compositores de forró. “Comecei a ganhar muito dinheiro, já morava em São Paulo. Comprei um carro e sofri um acidente que me deixou de muletas por um bom tempo. Sempre fui desmantelado, gastei demais com bebidas e mulheres”, confessa.

Aos 65 anos, João Gonçalves mora num subúrbio de Campina Grande-PB, com a mulher e uma filha (outros oito filhos já casaram). Desde meados da década de 80, ele está sem gravadora (finalizava, no início de junho, um CD, independente, intitulado Passado e Presente Musical de João Gonçalves), mesmo assim consegue viver razoavelmente bem com o que recebe de direitos autorais.
Sua mágoa é ser pouco lembrado em sua terra natal. “Fiz muita música para Campina, mas aqui não me dão valor, lá fora sempre tive mais apoio”, queixa-se. A entrevista acontece em um escritório improvisado em um quarto, no primeiro andar de sua casa. Em cima de um birô estão todos seus LPs (nenhum em catálogo). O senhor de cabeleira cheia, magro, falar pausado, nem de longe lembra o fescenino autor de Ás de copas, De Vara na Mão, Mata o Véio, Ainda Morro Disso e Galeguim dos Ói Azul. “Sofri muitas decepções, ganhei dinheiro, hoje não tenho nada, nem quero. Eu quero é viver até o dia de ir, que todo mundo vai.”

O homem por trás de Severina Xique-Xique

José Teles
teles@jc.com.br

João Gonçalves

O campinense João Gonçalves é um dos pioneiros do forró de duplo sentido. No início dos anos 70, ele emplacou uma série de estrondosos sucessos nacionais, entre os quais Severina Xique-Xique, Mata o véio, A filha de Mané Bento (estas na voz de Genival Lacerda). Como cantor, João estourou, em 1973, com Pescaria em Boqueirão, do impagável refrão: “Ô lapa de minhoca/ Eita que minhocão/ Com uma minhoca dessas/ Se pega até tubarão”. “Naquele tempo não se fazia a contagem de vendas como acontece hoje em dia. Sei que só com esta música vendi muito mais de cem mil discos, isto pelas contas da gravadora,” diz Gonçalves, que lançou uma dúzia de LPs, por gravadoras de São Paulo, a maior parte pela Tapecar.

Suas músicas foram gravadas por muitos artistas, tocaram bastante no rádio, ele ganhou dinheiro, mas não levava vida mansa. Sua carreira transcorreu durante o período mais barra-pesada da ditadura militar. João Gonçalves tornou-se visitante contumaz das dependências da Polícia Federal: “Eu praticamente fui proibido de trabalhar na Paraíba, pelo doutor Clóvis (não lembra mais o sobrenome) da Polícia Federal. Fui preso duas vezes, uma em João Pessoa, e outra em Cajazeiras”, conta Gonçalves.

A implicância do policial era contra Pescaria em Boqueirão. Nesta prisão em Cajazeiras, ele lembra que nem ousou cantar a música, porque soube que o “doutor Clóvis” estava na cidade: “A banda só tocou. Quem cantou a música inteirinha foi o público”, diz João. Mas não adiantou. O arbitrário policial alegou que já havia avisado que ele não poderia cantar “A minhoca” (como o forró ficou conhecido) em território paraibano.

Mas João não sofria apenas a prepotência da polícia, foi também um dos compositores da época mais perseguidos pela censura (e isto não está nos livros que registram este período mais infeliz da nossa história): “Eu mandava 40, 30 músicas para fazer um LP com 12 faixas. O pessoal da censura via o nome João Gonçalves e já ia cortando as músicas. Por causa daquela que diz 'o bode comendo acaba', a polícia tocou fogo em 3,6 mil cópias do meu disco. Estas bandas de hoje, fosse naquele tempo nem gravavam”, comenta o forrozeiro, cujas letras, se comparadas com as de bandas como Saia Rodada ou Cavaleiros do forró, são inocentes trocadilhos infantis.

Apesar de todo o sucesso no passado, João Gonçalves não tem um único show agendado este período junino, nem mesmo nos palcos “culturais” (onde segregam os trios pé-de-serra) do forrozão de Campina Grande. Aos 71 anos, ele sofre da coluna, mas ainda faria shows, se houvesse espaço para o forró tradicional: “Em nenhuma destas grandes festas ninguém quer mais cantor solo. Só querem as bandas, que fazem um show à parte, mas as letras são horríveis. Eu faço o duplo sentido com classe. Deixo uma expectativa em quem está ouvindo, não uso o palavrão. Naquilo que faço tem cultura, as bandas é só a pornografia. Este pessoal da prefeitura faz umas histórias, aquelas palhaçadas, botam um trenzinho, umas casinhas com um trio de forró, e pagam uma mixaria. Dinheiro mesmo é para as bandas. Estou fora do São João”, critica Gonçalves.

Embora grave esporadicamente, tenha seus discos fora de catálogo, João Gonçalves continua sendo uma lenda entre os forrozeiros e, pela temática de suas composições, constantemente procurado pelos empresários das bandas: “Do jeito que eles querem eu não faço não. Eles gravam as antigas. Catuaba com Amendoim gravou Mariá, Severina Xique-Xique. Tem até uma música que eu fiz para Tom Oliveira que a Aviões do forró gravou, Locadora de mulher, mas não é de letra pesada, é só engraçada (cantarola o refrão): 'Eu descobri uma locadora de mulher/ Lá tem mulher do tipo que o homem quiser'”.

João Gonçalves mora numa casa modesta, no distante bairro do Cruzeiro, na periferia de Campina Grande. Mas não se queixa. Reconhece que gastou sem pensar quando ganhava muito dinheiro com discos, shows e direitos autorais, “Ainda componho. Genival Lacerda e outros artistas de forró gravam minhas músicas, mas direito autorais recebo muito pouco. A pirataria não deixa cantor nenhum ganhar dinheiro”.


*música* JOÃO GONÇALVES “Duplo sentido tem que ter arte”

Posted by De acordo com On 6:05 PM

19 de junho de 2008


EXPERIENTE – compositor de “Severina Xique Xique” já gravou 21 LPs e CDs

Com quase 40 anos de carreira profissional, o “Rei do Duplo Sentido”, João Gonçalves, 72, continua na ativa e ácido em relação aos adeptos do estilo “Chupa que é de uva”, sem qualidade e nem romantismo. “Duplo sentido tem que ter arte. Nada do que se faz hoje com esse rótulo tem a ver com o meu trabalho”, diz o artista, enfatizando que não criou um estilo pornográfico.

João não gosta da objetividade das letras de forró da atualidade e diz que da sua escola não há seguidores. “Hoje, a gente escuta estas músicas como se fossem de duplo sentido, mas na verdade são como uma pessoa que tira a roupa de uma vez só na sua frente. A gente se choca quando isso acontece. Além de não acrescentar nada de novo no estilo verdadeiro, tira nosso romantismo, marca dos artistas da minha época”, explica.

A sutiliza é a chave do negócio para quem quer dizer uma coisa, mas diz outra, segundo João. Criador de célebres composições que se tornaram sucessos radiofônicos, como a inesquecível “Severina Xique Xique”, a intenção usada nas músicas de João não lhe pesa na consciência como a necessidade urgente de falar de sexo para vendê-las.
Para não errar, o músico remenda aos compositores que pretendem brincar com temática regional e erótica, a combinação de palavras do cotidiano nordestino com situações que insinuem uma atração sexual.

“Tem que ter cuidado, pois a qualquer momento você pode criar uma pornografia. Não vem ao caso colocar a intenção claramente, mas usar palavras que casem com aquela intenção maliciosa e não explícita”, diz João, que prefere definir o seu trabalho como uma erotização e não um desejo escancarado.

Romântico irreparável, João Gonçalves representa uma época em que “más intenções” só existiam na nossa cabeça. O estilo “diz, mas não diz” lhe rendeu fama e muitas parcerias como a do amigo Messias Holanda, que foi o responsável pela guinada em sua carreira, em 1970, com o sucesso “Minha Margarida”, e do companheiro Genival Lacerda, que moldou seu estilo às composições de João, gravando três de suas músicas na fase mais produtiva, como “Galeguim dos zói azul” e “Mate o veio”.

Espontâneo – O estilo de João Gonçalves não surgiu de maneira planejada. Ele gravou “Minha Margarida” com o ritmo do “iê-iê-iê”, um rock “nordestinizado” dos anos 70, em homenagem ao “Rei” Roberto Carlos. Como o parceiro Messias Holanda estava querendo um forró, achou possível transformar a música num arrasta-pé. João gostou da versão que o amigo deu ao som e gravou num Long Play.

A música não tem nada de intencional, apenas o trecho “…tem um pé de pega-pinto” que despertou a curiosidade dos ouvintes de rádio. “Aonde eu chegava tinha gente falando neste duplo sentido que eu não planejei inventar. Foi algo natural. O pega-pinto é um tipo de mato que tem no Nordeste, mas o pessoal do Sudeste teimava em dizer que a Margarida queria era prender um pinto”, relembrou, sorrindo.

A partir do primeiro hit, João partiu para ousadias maiores e resolveu falar com Genival Lacerda, que já era um cantor renomado. Ele deu a Genival uma fita cassete com oito composições, incluindo Severina Xique Xique, que estourou e ainda hoje é regravada. “Descobri que essa música já foi regravada 130 vezes”, contou o artista, que se orgulha de ver Rita Lee, Marisa Monte e outros fazendo releituras de suas músicas.

Recorde de vendas – Na época dos discos de vinil, João Gonçalves foi recorde na venda de LPs, conseguindo emplacar por ano cerca de 100 mil discos vendidos. O “Rei do Duplo Sentido” também gravou pela CBS, Tapecar, Continental, Chantecler, entre outras.

A primeira composição que deu nome ao primeiro disco, “Pescaria em Boqueirão” regravada na década de 1990 pelos jovens do grupo “Das Bandas da Paraíba” rendeu um titulo de cidadão boqueirãoense. “Vendi mais de 100 mil cópias desse LP. Foi por causa disso que eu me dediquei mais ao duplo sentido porque percebi que existia uma grande receptividade, as pessoas achavam engraçado. Fui considerado um gênio, entre os colegas, por ter inventado esse estilo”, relembrou João Gonçalves.

Novos projetos – Com 21 trabalhos gravados, entre LPs e CDs, João Gonçalves disse que não vive mais de shows, mas adora compor e gravar. Como prova de que as atividades intelectual e artística lhe fazem bem, ele está preparando um DVD pelo Fundo Incentivo à Cultura (Fic) Augusto dos Anjos. O trabalho segue o roteiro do CD “Onde foi casa, é tapera”, gravado em 2008.

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Valdívia Costa
para o CORREIO DA PARAÍBA

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O filme Az de Copas foi um documentário dirigido por Rodrigo Lima Nunes, que monta um perfil histórico do trabalho de João Gonçalves, com seu jeito engraçado de compor e sua relação harmoniosa com a família e seus amigos, mostrando que vida pode ter inúmeros sentidos. O filme foi lançado em 2010 em Campina Grande, exibido no Teatro Rosil Cavalcante.

Veja o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=xCPqpotmmcI

Composições de João Gonçalves (algumas)

FONTES:

musicacomcultura.blogspot.com

deacordocom.blogspot.com

www.onordeste.com

www.novaconsciencia.com.br

http://www.vagalume.com.br/joao-goncalves/

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  96. Serenões: Consciências Superevoluídas
  97. Revista Almanaque Brasil valoriza o Encontro da Nova Consciência
  98. Homofobia – Não te deitarás com varão, como se fosse mulher; abominação é. (Levítico 18.22)
  99. Nova Iorque recordou John Lennon juntando centenas de pessoas no Central Park
  100. Polêmica – “Não acreditar em Deus é um atalho para a felicidade”
  101. A Terra em Miniatura (The Miniature Earth)
  102. Frei Beto: A Bíblia e os gays – Líder católico defende PLC 122
  103. Professora Amanda Gurgel silencia secretária da Educação e deputados
  104. Brasil sobe nove posições e ultrapassa EUA em ranking global da paz
  105. Pelo fim dos preconceitos no Brasil – Carlos Ayres Britto
  106. Mentes Brilhantes em busca da Nova Consciência
  107. A importância do Estado Laico na garantia dos direitos fundamentais de minorias
  108. Encontro para a Nova Consciência: A Grande Celebração Brasileira da Diversidade!
  109. Lista dos Ilustres Palestrantes da Paz – Nova Consciência
  110. A verdadeira jihad – E o XV Encontro da Nova Consciência
  111. Salve o bloco da nova conciência – Fogo Intolerante
  112. ENTREVISTA COM NEHEMIAS MARIEN: O PASTOR QUE ACEITA O ESPIRITISMO
  113. Encontro da Nova Consciência