O Cristianismo e a Nova Consciência – Marcelo Barros

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Autores
Marcelo Barros
irmarcelobarros@uol.com.br

Nova Consciência é um novo modo de ver o mundo e de viver a relação espiritual da pessoa consigo mesma, com os outros, com o universo e, para quem quiser, com a fonte do amor universal que as religiões tradicionais costumam chamar “Deus”, termo indo-europeu que significa “Luz”. Para muita gente este novo paradigma, mais holístico e sintético, supera as velhas religiões que dividem a humanidade e apresentam quase sempre visões fragmentárias e analíticas. É interessante notar que, de certa forma, em contexto histórico e humano muito diverso, esta visão já tinha aparecido no mundo em outras épocas muito antigas. Quando no século V antes da nossa era, na China, o sábio Confúcio apresentou a sua proposta de sabedoria espiritual, o confucionismo apareceu como crítica às antigas religiões chinesas e foi acusado de “ateísmo”. Na Índia, Sidharta Guatama, o Buda, propôs que o ser humano deixasse de adorar imagens e mitos externos a si mesmo e trabalhasse a sua própria iluminação interior, sem cair no individualismo, conduzido pela compaixão universal e solidariedade concreta a toda dor humana. Na mesma linha, a proposta de Jesus de Nazaré significou uma crítica ao Judaísmo de sua época. Ele não rejeitou a religião, mas relativizou-a e propôs que todo ser humano, através da solidariedade amorosa com o próximo, se tornasse templo do Espírito.

Conforme os Evangelhos, a primeira palavra de Jesus ao povo foi um apelo à conversão, tradução do grego metanóia que, literalmente significa “mudança de mente” ou como dizemos hoje: “nova consciência”.

Inspirados pelo movimento profético de Jesus, seus discípulos e seguidores, posteriormente, fundaram comunidades a que chamaram de “Igrejas”, termo grego usado na época para as assembléias de cidadãos livres nas cidades do Império Romano. Com o tempo, estas Igrejas, ou assembléias locais de irmãos e irmãs foram assumindo uma organização mais hierárquica que não tinham no início. A história da Europa levou às Igrejas do Ocidente a se tornarem dioceses de uma Igreja centralizada com sede em Roma. No século XVI, como reação a esta centralização monárquica, surgiram as Igrejas evangélicas, geralmente organizadas em federações.
Atualmente, em todo o cristianismo, se fortalece um movimento de profunda renovação. Ele busca restituir a cada comunidade o seu caráter de Igreja em seu sentido pleno, em comunhão com as outras Igrejas irmãs. Propõe-se a ajudar cada Igreja a se ver, não como uma instituição que tem sua razão de ser em si mesma, mas como serviço libertador para toda  humanidade. Em termos evangélicos: A finalidade de uma Igreja cristã é ser testemunha do reino de Deus, ou seja, do projeto divino para o mundo.

Um antigo atributo que toda Igreja cristã assume é o de ser “católica”, termo grego composto de dois vocábulos: katos e holos. Este último é o termo que deu origem à palavra holístico, ou seja “chamado à universalidade”. Tertuliano, escritor cristão do século II, explicava isso dizendo: “A quem quer ser cristão, nada do que é humano pode ser estranho”. Quem aprofunda esta base teológica do cristianismo descobre que o cristianismo tem de ir além das Igrejas. Consiste em um movimento profético que busca unir paz, justiça e cuidado amoroso com todo o universo. Por isso, toda pessoa profundamente impregnada do espírito do Cristo só pode aderir a este impulso espiritual da Nova Consciência.   

SOMOS TODOS DIVINOS

Todas as tradições espirituais conhecidas no mundo, de um modo ou de outro, insistem na dimensão sagrada do ser humano e mesmo de todo o universo. As religiões afro-descendentes vêem na água, nas árvores e nos elementos da natureza a presença de manifestações divinas que são os Orixás. Quando alguém é tomado por uma destas forças, se reconhece ali a presença divina na pessoa. No cristianismo oriental, os pastores antigos insistiam que o objetivo do ser cristão é receber o Espírito Divino para se viver de sua inspiração e orientação.

Na Bíblia, o livro do Gênesis diz que, no inicio da criação, Deus disse: “Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança. (…) Deus criou o ser humano à sua imagem. À sua imagem, o criou, homem e mulher o criou” (Gn 1, 28- 29). Um dia, perguntaram a João Crisóstomo, pastor da Igreja em Constantinopla, (século IV), porque o texto, no inicio, fala em “imagem e semelhança” e depois, só retoma a palavra “imagem”. O pastor respondeu: “Todos somos criados de acordo com a imagem de Deus. A imagem divina é algo que todo ser humano tem impresso no seu ser mais íntimo. Mesmo a pessoa de vida mais errada tem oculto no seu interior esta imagem. Mas, a semelhança é vocação. Devemos e podemos nos tornar semelhantes a Deus. Isso depende de nós”. Este processo de conversão pessoal, os pastores orientais chamavam de “divinização”.

No próximo domingo, cristãos de várias Igrejas celebram a festa de Pentecostes, encerramento das festas anuais da Páscoa e consequência da ressurreição de Jesus: a doação do Espírito Divino a toda pessoa que aceita recebê-lo. Pela energia da ressurreição de Jesus, o Espírito Divino se espalha em todo o universo para “restaurar o que está seco, curar o enfermo, endireitar o encurvado, aquecer o frio e consolar o aflito”.

Para a religião judaica, Pentecostes é a celebração da aliança íntima de Israel com Adonai, iniciada no monte Sinai e vivida através da interiorização da lei divina. Para os primeiros cristãos, Pentecostes representou a vinda do Espírito que fez com que judeus e adeptos de diversas raças e nações, cada pessoa ali presente pudesse compreender, em sua língua e cultura própria, a mensagem do Espírito (At 2). Hoje, mesmo quando somos de um mesmo povo e falamos o mesmo idioma, muitas vezes, não temos a mesma linguagem cultural. Podemos até pertencer à mesma confissão religiosa, mas nem sempre nos compreender. É o Espírito Divino que nos dá a graça de acolher a cultura diferente do outro e entrar em diálogo com o seu modo de ser, de viver e compreender a fé. Um filósofo dizia: “Dialogar é passar ao logos do outro”.

O Espírito Divino habita em nós, não como “um inquilino ou locatário da alma”, porque isso implicaria no dualismo entre Deus e ser humano. Ainda há Igrejas que falam de Deus como um Tu muito separado de nós. Neste caso, é uma divindade a qual devemos agradar para receber benefícios na vida concreta ou, ao menos, para não ser castigados. Ao contrário, Santo Agostinho ensinava que Deus é mais íntimo a mim do que eu mesmo. A presença divina não é mais separável do nosso ser do que dois pólos de um mesmo imã. A espiritualidade hindu tem razão ao sublinhar o caráter de interioridade e de imanência em nós desta presença e atuação divinas. Esta experiência é dom divino. Não é fruto de esforço, mas devemos nos abrir a ela. Se, por acaso, ocupamos nosso ser com uma infinidade de desejos consumistas e dispersões ruidosas, o Espírito em nós não encontra forma para se manifestar.

Para evitar isso, os espirituais organizam suas vidas de forma diferente do modelo comum, vigente no mundo. Mas, se pode viver isso na cotidianidade do emprego, da vida familiar e dos compromissos laicais. Esta dimensão da quietude e do “habitar consigo mesmo” não pode significar nenhum individualismo ou fechamento à experiência do outro e à solidariedade social e política que seria a manifestação profunda e permanente deste amor divino em nós.

O Baghavad Gita, que para os hindus é como o Evangelho para nós, cristãos, exprime em poesia esta experiência essencial:
“Todos os seres estão em mim e eu não estou contido neles.
Entretanto, os seres não se prendem em mim.
Compreende esta forma soberana da unidade:
Alguém que carrega em si os seres todos,.
Mas, neles não se encerra.
Eu sou o ato que os fez ser” (IX, 4- 5). 

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  45. Teatro Municipal Severino Cabral
  46. A Nova Era e a Nova Ordem Mundial – no Fantástico!
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